Arquivo mensal: outubro 2013

Novo programa partidário do PT. Vale a pena ver e rever!!

Veja o pronunciamento da presidenta sobre o Leilão de Libra

Movimentos divulgam Carta Aberta chamando para a V COMPAD

      CARTA ABERTA À SOCIEDADE

Vamos falar sobre drogas?

A V Conferência Municipal de Políticas de Atenção às Drogas da cidade de São Paulo (V COMPAD) é uma oportunidade valiosa para  refletirmos sobre as políticas adotadas ultimamente e suas consequências. É um momento para reforçarmos o quão importante é priorizar o respeito às pessoas, às suas escolhas e liberdades. Precisamos de uma política que retire as pessoas que utilizam drogas ilícitas da esfera penal ou da condição de doentes, sem autonomia sobre suas próprias vidas.

A conferência é mais um momento em que a sociedade civil pode manifestar suas demandas e propostas por políticas sobre drogas que sejam confiáveis e que não se fiem em um proibicionismo ultrapassado, que desmorona a passos largos  pelo mundo. No saldo nefasto da chamada ‘guerra às drogas’ imposta pelos EUA ao resto do mundo, destacam-se: o fortalecimento do próprio tráfico de drogas e da indústria de armas, a superlotação de sistemas carcerários e o acirramento do drama pessoal, familiar e social das pessoas que usam drogas. Pois além de arcarem com o problema da estigmatização, os usuários são duplamente punidos ao serem criminalizados pelo próprio Estado que deveria protegê-los.
O lema de ‘guerra às drogas’ ou ‘guerra ao crack’ encerra em si uma contradição gritante: não se pode guerrear contra uma substância e, invariavelmente serão os usuários dessas substâncias que serão punidos pela sanha proibitória.  É preciso reconhecer a falência do atual modelo de atenção às drogas e investir nas alternativas mais humanas e efetivas de cuidado como a redução de danos, os consultórios de rua e o fim da internação compulsória como política massificada – considerada uma forma de tortura pela ONU. É necessária uma abordagem que considere não apenas a questão biológica, mas também psíquica e social do usuário. É fundamental que as políticas públicas para o álcool e as outras drogas da cidade de São Paulo  diminuam as  vulnerabilidades relacionadas ao consumo, isso inclui empoderamento dos usuários de drogas para exercerem suas escolhas de forma autônoma e consciente.

Outro ponto importante dessa conferência é priorizar propostas que vão ao encontro do fortalecimento do SUS e sua política de saúde mental através dos CAPS-AD, pois entendemos que os CAPS-AD são uma vitória da luta antimanicomial de um passado recente, e qualquer proposta alinhada com o enclausuramento de pessoas – como clínicas e comunidades terapêuticas – seria um retrocesso em nossas políticas. Além do mais é importante salientar que o dinheiro público deve ser utilizado para financiar práticas que fortaleçam as políticas previstas nas diretrizes do SUS, nesse sentido  deve ser utilizado para implementar a quantidade de CAPS-AD necessária para atender as demandas da população, com respeito a autonomia do seu corpo de profissionais, a valorização da interdisciplinaridade das áreas e salários compatíveis com a prática e formação profissional.

Tanto os governos, como o COMUDA (Conselho Municipal de Drogas e álcool de São Paulo), precisam arejar suas reflexões sobre as diversas questões relacionadas ao uso de drogas. O COMUDA de São Paulo é atualmente regido por uma lei que o deixa refém do poder executivo, pois seus 25 conselheiros são indicações diretas do mesmo, em uma desproporcionalidade flagrante. A próxima gestão deve apresentar uma nova lei para o COMUDA, caso contrário manterá um conselho da sociedade civil sem o mínimo de autonomia.

Entendemos que há muito mais a ser pensado e que essas questões não serão esgotadas na V COMPAD, por isso se você gostaria de continuar a construção dessas propostas conosco, nos procure durante a conferência, assine nossa carta e vamos construir coletivamente uma política de drogas que leve em consideração as pessoas que usam drogas e não apenas o interesse de poderosas indústrias que se beneficiam da atual legislação.

Por uma vida menos proibida e com mais autonomia!

Subscrevem:

– Centro de convivência É de Lei
– CEDECA – Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – Sapopemba
– BEC – Bloco da Esquerda Canábica
– NPD-PT – Núcleo de Política de Drogas do Partido dos Trabalhadores
– JPT-SP – Juventude do PT de São Paulo / JPT Sampa
– JSOL – Juventude Socialismo e Liberdade
– Mandato Popular e Socialista – Toninho Vespoli
– Vereador Alfredinho – Líder da Bancada do PT/CMSP
– Vereadora Juliana Cardoso – presidenta do Diretório Municipal do PT de São Paulo
– Mandato do Vereador Nabil Bonduki – PT

Bloco da Esquerda Canábica fará Roda de Fumo e Outras Drogas na abertura do V COMPAD

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O BEC – Bloco da Esquerda Canábica, composto por grupos e partidos de esquerda, referenciados na Marcha da Maconha, promoverá uma Roda de Fumo e outras Drogas na V COMPAD (Conferência Municipal de Políticas de Atenção às Drogas) neste sexta a partir das 19:00hs na Uninove – Barra funda, a fim de chamar a atenção sobre a ultrapassada política de drogas vigente.

Eduardo Silva, membro do Núcleo de Política de Drogas do PT de São Paulo (NPD-PT) afirma que a ideia da Roda é “questionar a atual politica de drogas e demonstrar a sua total incoerência, ao permitir drogas como o cigarro e proibir outras, como a maconha, sabidamente menos danosas à saúde.” Além disso, explica o contexto da Roda: “precisamos criar um fato nessa conferência, antes hegemonizada por grupos religiosos e adeptos do proibicionismo,  que aponte a superação deste modelo e mostra que a há setores da sociedade civil que estão dispostos à enfrentar esse debate”.

O COMUDA (Conselho Municipal de Políticas de Drogas e Álcool) é inteiramente indicado pelo executivo e nas gestões Serra/Kassab era utilizado mais como um instrumento de lobby das comunidades terapêuticas do que como formulação de uma política de drogas e álcool de fato.  Na gestão Haddad há uma sinalização de avanço na pauta, que já resultou no enfraquecimento do poder da atual gestão do Conselho. A proposta do BEC e de parte da Sociedade Civil é de que aja eleições para o conselho e que, nesta próxima indicação o governo atue com esse viés, indicando setores e organizações que tenham o debate avançado.

Caio Baccini, também membro do BEC, explica como será a Roda: “Pra roda a galera tem que levar apenas drogas lícitas, como cigarros, charutos, álcool coca-cola e tá liberado também a revista Veja”, ironiza.

Para participar da Roda de Fumo e outras Drogas confirme presença na página: https://www.facebook.com/events/193275417524424/?fref=ts

Pra quem tem o interesse em participar a pré-inscrição deverá ser feita no link. http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/politica_sobre_drogas/index.php?p=158057

Do Blog

Marina Silva, a deformação política e ideológica de uma caricatura

“Com o tempo, Marina Silva mergulhará cada vez mais fundo no direitismo e seus valores, nos quais o ódio e a vingança são as máximas expressões. É uma triste caricatura, não apenas do que foi no passado, mas daquilo que podia ter sido”

ImagemUma boa maneira de entender uma pessoa não é por suas atitudes passadas, elas demarcam um perfil condicionado também pelo contexto. Melhor é tentar equacionar essas referências anteriores com as atitudes hodiernas, os novos círculos, os novos caminhos.

Nesse sentido, a Marina Silva que afirmou lutar contra o chavismo no PT não é a Marina Silva garota pobre do interior do Acre, amiga de Chico Mendes. Definitivamente, não. Trata-se de uma pessoa forjada por outras trajetórias. É como quando nos lembramos de anos anteriores como outra vida.

Essa é a Marina Silva que vem trilhando o caminho do rancor, do mundo onde não existem sociedades, apenas indivíduos. Indivíduos com seus sentimentos e instintos mais primitivos. Ao contrário da evolução, é uma adaptação. Como criacionista, ela não percebe a triste ironia.

Marina Silva saiu do PT em 2009. Um ano antes havia pedido demissão do Ministério do Meio Ambiente. Caiu não por grandes embates ideológicos. Nunca teve estatura política para isso. Nem pelos tímidos (pra ser generoso) resultados de sua gestão (como a elevação do desmatamento, por exemplo). A decisão foi tomada após uma crise sobre a piracema de bagres nas águas do Rio Madeira.

O elemento central de sua saída deveria ter servido de sinal de seus novos caminhos e aliados. Muitos, no entanto, preferiram acreditar que ela poderia seguir outra trajetória. Continuou pouco mais de um ano no Partido dos Trabalhadores. Tinha possibilidade de disputar as prévias internas. Ganhando ou perdendo, teria fortalecido sua trajetória ligada aos movimentos e princípios de esquerda. O individualismo não está entre eles. Por isso mesmo se sentiu mais confortável entrando em uma barriga de aluguel, o Partido Verde (PV), que lhe garantiu uma legenda para o pleito do ano seguinte.

Jogou por terra toda e qualquer coerência, seja com sua história, ou com seu discurso na época. O PV é tão ambientalista quanto o PSDB é social-democrata. Perdoem a ironia.

Marina cumpriu em 2010 o papel desempenhado por Heloisa Helena em 2006. A também ex-senadora foi na ocasião inflada pela direita midiática, mais competente que seus partidos, como alavanca ao segundo turno. Cumprido seu papel no jogo, foi devolvida pela imprensa ao interior de Alagoas. E lá permanece, em um irrelevante e isolado mandato na Câmara Municipal de Maceió.

Ao final das eleições de 2010, com seu saldo de 20 milhões de votos, formados por um misto de moralismo de classe média antiesquerda, por conservadores de diversos matizes e sonháticos que não precisam de outra definição além do termo, Marina tomou uma decisão fundamental na sua nova trajetória. Declarou neutralidade entre um projeto que sempre combateu e aquele de que fez parte até há pouco tempo.

Fique registrado que Marina nunca apresentou posições divergentes à linha geral do governo Lula durante os anos em que permaneceu na Esplanada. O governo Lula foi marcado por uma elevada democracia interna, ministros falavam, davam entrevistas, a Esplanada tinha uma vida política e ideológica ativa. Tinha. Marina nunca surpreendeu com qualquer idéia relevante, mesmo naquela época.

Saiu, portanto, trilhando o caminho do rancor. Jogava na vala comum da sua neutralidade seus anos de dedicação àquele projeto e sua história de combate ao neoliberalismo representado pelo PSDB e pela pior direita que a ele tem se agregado.

Nada mais próximo a um direitista do que um ex-comunista, nos diz a história. E nada pior. O Brasil é claro, está cheio deles. Fernando Gabeira, Ferreira Goulart, Roberto Freire, José Serra, Cândido Vaccarezza… Marina, ao contrário dos que citei, já vinha com um pacote bem mais completo. Nunca se reconheceu como não branca. Em seu discurso esse elemento nunca se fez presente. Não é algo irrelevante.

A conversão para a ideologia neoliberal que viria depois já encontrava também um terreno fértil no conservadorismo moral que era exibido com mais ênfase após sua saída do PT com suas – poucas – amarras regimentais e programáticas. O criacionismo em toda sua mediocridade teórica ganhou força. Nesse diapasão, o endurecimento de suas posições sobre aborto, direitos civis de homossexuais.

Anos depois Marina veio a público defender o deputado racista e homofóbico Marco Feliciano, questionando a relação entre as críticas a ele dirigidas e a confissão religiosa do pastor-parlamentar. Nada tão cotidiano na vida dos sem idéias do que o foco central nas pessoas e suas relações.

Nessa conversão, Marina foi realmente adotada no seio da Casa Grande. Dos jatinhos particulares e sua aproximação com a Natura na campanha de 2010, Marina passou a frequentar os salões de Neca Setúbal, herdeira do Itaú. A mesma que abriga um partido clandestino à direita do PSDB, dirigido por um de seus quadros.

Na hipocrisia de Marina e seus sonháticos, a crítica às fontes de financiamento dos partidos tradicionais encontra ressalva na relação com os bancos, grandes aliados e sustentáculos do desenvolvimento sustentável (sic). Peço aos amigos leitores que encontrem um intelectual com densidade que possa provar que as indústrias de tabaco ou de armas provocaram menos males à humanidade do que o sistema bancário. Mas no grupo de Marina não há intelectuais, mesmo usando a profundidade de um pires como critério de corte.

Agora, Marina nos surpreende após sua tentativa inócua de criar um partido. Algo feito sem muitas dificuldades por um ex-vereador desconhecido do Entorno do Distrito Federal e pelo bastião da ética paulista, o deputado Paulo Pereira da Silva. Surpreende não apenas por sua pressão antidemocrática e antirrepublicana ao Tribunal Superior Eleitoral para validar um partido sem apoio popular e sem requisitos legais. Marina defendeu que o TSE cometesse um crime eleitoral. Ao seu individualismo, alia-se um autoritarismo que faz mal à República.

Mas Marina surpreende pela decisão e pela motivação recente de se filiar ao PSB de Eduardo Campos. À necessidade de ser a estrela do espetáculo, Marina sobrepôs seu rancor e desejo de vingança. Declarou a aliados que sua briga é “contra o PT e o chavismo que se instalou no Brasil”. Dispensável registrar aqui a tolice representada por tal raciocínio, que não encontra qualquer respaldo na realidade. Infelizmente.

Marina Silva pode ser vice na chapa de Eduardo Campos. Poderá ainda ser candidata a presidente pelo PSB. De suas bandeiras, pouco restará além da mesquinharia expressa nesse pensamento. Grandes idéias? Nunca as apresentou, dificilmente o faria agora. Não se enganem, o horizonte mostra apenas continuidade. Com o tempo, Marina Silva mergulhará cada vez mais fundo no direitismo e seus valores, nos quais o ódio e a vingança são as máximas expressões. É uma triste caricatura, não apenas do que foi no passado, mas daquilo que podia ter sido.

 

 Alessandro Melchior é estudante de Direito e presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve). Foi representante do Brasil na Reunião Especializada de Juventude do Mercosul (2010/2011), é diretor da ABGLT e está na vice-presidência do Fórum de Juventude da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)

‘Queremos que Vaccarezza defenda reforma política do PT, nada além disso’

Secretário da Juventude do PT de São Paulo afirma que, ao rejeitar proposta de reforma política do partido, deputado “dá as costas às ruas” e ao que elas disseram em junho

por Eduardo Maretti, da RBA

Juventude

São Paulo – Em resposta à entrevista do deputado federal Cândido Vaccarezza à RBA na quinta-feira (3), o secretário estadual da Juventude do PT de São Paulo, Rogério Cruz, afirmou que a corrente do partido da qual faz parte, Construindo um Novo Brasil (CNB), não é minoritária e que a cobrança em relação à atuação do parlamentar é por um posicionamento coerente com as orientações da legenda. “O pedido que já protocolamos no diretório estadual é para provocar o debate no partido no sentido de que a atuação dele enquanto parlamentar do PT tem de estar alinhada com o pensamento do partido. Não estamos cobrando nada além disso.”

O grupo pede a expulsão de Vaccarezza. Segundo Cruz, o deputado “tem um problema de concepção de sua atuação parlamentar”. No entanto, o secretário de Juventude afirma que o canal do diálogo não está fechado. “Nós estamos abertos, se ele quiser, para debater isso.”

Na entrevista, Vaccarezza atribui a pressão por sua saída do partido a grupos isolados do PT. “Este é um ato (o pedido protocolado) de pessoas que não deveriam estar no PT, que nunca se encontrarão numa posição majoritária e sempre fizeram parte de grupos que não defendem as posições do partido”, afirmou o deputado. Ele também disse que está “sintonizado com as alianças e coligações” defendidas pela maioria do partido e segue as orientações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff, inclusive com o PMDB.

“Quanto a nós sermos de grupo isolado, eu acho que quem é de grupo isolado é ele, que é de uma corrente regional do PT (Novo Rumo, no estado de São Paulo). Não somos minoritários nem no PT nem na Juventude. A CNB é a maior corrente do partido. Mas a discussão não é uma briga entre mim e ele, entre quem conduz a Juventude e ele.”

Para Rogério Cruz, “o problema que representa o Vaccarezza transcende qualquer discussão interna de correntes. A posição é unânime, da juventude do PT do estado de SP, não é minha. Dizer que somos minoritários demonstra que ele não conhece a juventude do partido em São Paulo e não sabe qual é a correlação de forças interna”.

A respeito da política de alianças que Vaccarezza diz seguir sob orientação de Lula, Cruz afirma que o parlamentar “está misturando tudo”. “Uma coisa é política de aliança para disputa eleitoral, outra para governabilidade, e outra coisa é o que ele está fazendo, que não tem nada a ver com política de aliança. Ele ter aceitado o convite do Henrique Alves, contrariando a indicação do PT, é um fato grave”. Ao rejeitar a proposta de reforma política do PT, na opinião do secretário de Juventude, Vaccarezza “dá as costas às ruas, ao que as ruas disseram em junho”.

“Nós não estamos discutindo política de alianças. Quando falamos de reforma política estamos discutindo que ele transformou a proposta de reforma política numa minirreforma eleitoral que vai discutir cavaletes (a proposta da minirreforma proíbe cavaletes com propagandas em vias públicas)”, esclarece Rogério Cruz. “O que estamos cobrando dele é com base no que o Diretório Nacional vem aprovando. O DN aprovou uma proposta de reforma e queremos que o deputado defenda isso no Congresso.”

Juventude do PT pede expulsão de Vaccarezza, ‘expoente máximo da desvirtuação’

Militantes querem Comissão de Ética para deputado que tem contrariado diretrizes do partido, entre elas a da reforma política
por João Paulo Soares, da RBA
©PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS
vaccarezza índiosVaccarezza conversa com índio na entrada do Congresso

São Paulo – A Juventude do PT do Estado de São Paulo vai protocolar hoje (3), no Diretório Municipal da capital, um pedido de Comissão de Ética para expulsar do partido o deputado Cândido Vaccarezza. O documento já foi enviado por e-mail e também postado na página JPT em Debate do Facebook. O pedido vem a público no dia em que Vaccarezza foi cercado por um grupo de índios que protestavam na Esplanada dos Ministérios e teve de abandonar seu carro para escapar da confusão.

Vaccarezza tem provocado descontentamentos na militância petista – e mesmo entre os dirigentes de sua corrente política interna – por posicionamentos que contrariam diretrizes partidárias e são considerados “conservadores” ou de “direita”.

Há três anos e meio, quando tentava viabilizar sua candidatura à presidência da Câmara junto a setores conservadores, Vaccarezza deu uma entrevista às páginas amarelas da revista Veja em que pregou a reforma da CLT e atacou direitos trabalhistas. A CUT e o PT reagiram. E a bancada escolheu outro nome para disputar (e vencer) aquela eleição.

Agora, o deputado bateu de frente com uma das principais bandeiras do PT desde a crise de 2005, a da reforma política.

Contra a vontade do partido e da própria bancada petista, Vaccarezza aceitou coordenar o Grupo de Reforma Política controlado pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). As propostas desse grupo, encampadas e defendidas por Vaccarezza, passam bem longe daquelas que o PT definiu como prioritárias em reuniões, encontros, convenções e congressos ao longo de sua história – entre as quais o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais e do voto uninominal para o parlamento.

O grupo de Vaccarezza também tem ignorado os apelos da presidenta Dilma Rousseff pela convocação de um plebiscito para decidir sobre o tema.

No documento da JPT-SP, escrito e votado durante uma reunião num assentamento agrícola, no fim de semana, a militância expressa repúdio por “alguns elementos” do PT que “se aliam aos setores conservadores da política para bombardear o projeto de reforma política construído no Partido dos Trabalhadores”.

Na sequência, diz que Vaccarezza é “o expoente máximo dessa desvirtuação”.

O texto diz ainda que a juventude petista vai exigir “atitudes coerentes das instâncias partidárias” e de seus  parlamentares, no sentido de que “se mantenham na defesa de uma constituinte exclusiva e plebiscito para a implementação de uma verdadeira reforma política no Brasil”.

Leia a íntegra:

Moção de Repúdio
Com pedido de instauração de Comissão de Ética para expulsão do deputado Cândido Vaccarezza do PT
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Entre as diversas bandeiras defendidas por nosso partido, como reforma agrária, política de cotas e transferência direta de renda, temos também como prioritária a defesa da democracia e a ampliação desta. Neste sentido, julgamos que a reforma política nos modelos construídos pela militância partidária e pela população é objetivo central para avançar a democracia brasileira.

No entanto, alguns elementos do partido se aliam aos setores conservadores da política para bombardear o projeto de reforma política construído no Partido dos Trabalhadores. O expoente máximo desta desvirtuação do projeto petista de reforma política é o deputado federal Cândido Vaccarezza.

Reunidos na Comunidade Padre Josimo, na Agrovila Campinas, Assentamento Reunidas, no município de Promissão, reivindicamos a instalação de comissão de ética para expulsão do referido deputado dos quadros do Partido dos Trabalhadores, uma vez que este não nos representa, assim como exigiremos atitudes coerentes das instâncias partidárias.

Indicamos ainda, neste mesmo sentido, que nossos parlamentares se mantenham na defesa de uma constituinte exclusiva e plebiscito para a implementação de uma verdadeira reforma política no Brasil.

Promissão, 29 de setembro de 2013.
Juventude do Partido dos Trabalhadores do Estado de São Paulo

Em Promissão, JPT-SP realiza seminário de formação política dentro de assentamento do MST

História da juventude, luta de gêneros e movimentos sociais foram os principais temas debatidos na atividade. Por ElineudoMeira, Portal Linha Direta Imagem A Secretaria Estadual de Juventude do PT-SP realizou neste final de semana, dias 27, 28 e 29 de setembro, o Seminário de Formação Política, no assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A Agrovila Campinas, situada na Fazenda Reunidas, em Promissão, é um importante local para o grupo que, depois de uma longa disputa, foi assentado há 26 anos. Durante o evento, a JPT-SP reuniu cerca de 150 jovens que representam diversos movimentos sociais de São Paulo. O cronograma de atividades foi dividido em seis temas: 1) Apresentação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, e vivencia no assentamento; 2) Formação histórica do Brasil; 3) A formação do PT e as lutas populares: depoimento e entrevistas; 4) Gênero, mulheres e a juventude, 5) História da juventude do PT; e 6) Juventude e os movimentos sociais. Rogério Cruz, secretário estadual da Juventude do PT-SP, avalia que o seminário foi muito importante para os jovens compreenderem a identidade do PT. “O seminário foi muito bom, na expectativa de se criar a identidade da história do PT e, inclusive, a história da juventude petista a partir da visão dos movimentos sociais”. Rogério também conta que a escolha do local é simbólica e ajuda no processo de formação. “Pra gente é muito importante fazer esse resgate, principalmente num espaço como este. Esse resgate com a nossa origem e o debate de nossa formação histórica é muito importante para as pessoas novas. Nós tivemos diversas atividades. Pelos debates, pelas perguntas e pelo alongamento das rodas de debate. Esse é um sintoma de que a juventude quer conhecer a história do partido e militar nesse patrimônio”, explica. O prefeito de promissão, Hamilton Foz, comemorou a presença da Juventude do Partidos dos Trabalhadores na cidade e no assentamento de Promissão. “Acho importante e inovador. O normal é ir até São Paulo pra discutir sobre reforma agrária e sobre diversos assuntos e hoje o fluxo é inverso, vem até essa realidade. Aqui é uma cidade do interior, aonde o jovem vive em uma situação diferente do restante do povo do estado. O seminário é muito importante para o jovem daqui da nossa região, que está despertando para esse conhecimento. Com ele, nossos jovens vão adquirir novos conhecimento para poder achar um caminho e apontar para um caminho melhor”, disse. Lourival de Paula, da Direção do MST, que também é assentado na região de Andradina, no interior paulista, falou sobre a relação entre o MST e o PT no início dos anos de 1980. “É preciso fazer a ligação entre partido e movimentos sociais, entre as lutas que estão efervescendo na sociedade brasileira, as novas gerações que estão plantando bandeiras novas e antigas. Essa é uma pratica que já existia no partido e que era uma ligação forte entre o braço da luta política no parlamento e na rua. O que o povo está querendo nas ruas ainda está fraco, essa ligação precisa ser fortalecida e, para isso, precisa ser dominada”. A secretária Nacional da Juventude, órgão ligada à Secretaria Geral da Presidência da República, Severine Macedo, falou da importância de construir esse diálogo de formação, não simplesmente discutindo questões internas do partido. “É muito importante o espaço que a galera construiu aqui: ação política de não só olhar pra dentro da juventude do PT, mas a relação de fora, como as organizações e movimentos sociais, com a conjuntura política, militantes novos e que já estão aí há mais tempo. O PT precisa, mais do que nunca, ter capacidade de ampliar o diálogo com a juventude “, destacou. Angelo D’Agostini, secretário sindical do Diretório Nacional do PT, destacou que é necessário fazer o resgate histórico de lutas e conquistas do PT e frisou que é necessária a participação da juventude. O presidente Nacional do Conselho Nacional da Juventude (Conjuv), Alessandro Melchior, destaca que a iniciativa da JPT de fazer o Seminário no assentamento do MST foi muito positiva. “A ideia é ousada e, ao mesmo tempo, está muito sintonizada com o momento. Têm aparecido demandas no sentido de fazer uma reflexão sobre o PT, sobre os congressos que o partido tem realizado nos últimos anos e suas plenárias de formação em todos os espaços. Tem se apontado que o PT deve se vincular, se ligar e sintonizar nas agendas dos movimentos sociais e, nesse sentido, não há o que se falar do movimento social no Brasil. Sem deixar de falar nos trabalhadores rurais sem terra e de todos movimentos populares. O MST é o movimento que tem uma capacidade conseguir fazer uma análise de conjuntura global”. Presentes no Seminário, as jovens mulheres do PT-SP propuseram um encontro para debater a política de gênero, como explica a jovem militante Maia Aguilera. “Agora as jovens do coletivo de mulheres feminista do PT vão organizar um encontro para debater gênero o feminismo, tanto no espaço organizado por nós, como naqueles em que os homens participam. As mulheres são protagonistas na luta, mas homens são os companheiros que estão juntos”, explica.