Arquivo mensal: novembro 2013

Os 20% de jovens na direção e o desafio geracional dos próximos 20 anos

Por Anne Karolyne, Debora Pereira e Cássio Nogueira

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O Partido dos Trabalhadores se abre para o desafio de produzir uma das mais exitosas experiências de gestão progressista e democrática que a história contemporânea do Brasil está por observar. Neste balanço da década é possível afirmar que mudanças importantes foram conferidas ao povo: milhões de brasileiros fora da linha da pobreza, pleno emprego, distribuição de renda com crescimento econômico e forte investimento em políticas sociais.

Tudo isso foi e é possível porque os brasileiros optaram pela ousadia e coragem dos governos Lula e Dilma, que provaram ser possível sim desenvolver o país sem cortar investimentos sociais e, principalmente, restabelecer as instituições e empresas públicas, fazendo cair por terra o conto neoliberal que afirmava que para o Brasil crescer era necessário diminuir custos e investimentos sociais e enxugar a estrutura estatal. 

Em 10 anos de governos popular e democrático, ousamos afirmar que um dos maiores legados que estes governos e suas políticas produziram foi o sentimento coletivo de que é possível promover muito mais transformações política, cultural, social e econômica estruturantes e o produto mais clássico desse início de legado foram as mobilizações de junho. Milhares de jovens tomando as ruas país a fora reivindicando preços justos e qualidade nos transportes, mais acesso à educação, saúde pública de qualidade, ou seja, mais presença do Estado na vida das pessoas. 

O povo brasileiro, que nestes 10 anos conquistou direitos individuais importantes como crédito habitacional, acesso à universidade, empregos formais, ganhos reais no salário e maior acesso para consumo de produtos essenciais para a qualidade de vida, são agora tomados por necessidades mais profundas, como qualidade, justiça, coletividade, respeito e dignidade. Nosso país foi incendiado pelo desejo coletivo de promover o Brasil a patamares superiores de desenvolvimento humano.

Majoritariamente quem deu o tom desta demanda foi a geração beneficiada pelas políticas sociais dos governos do PT, o que reafirma a possibilidade real de produzir novos marcos para um novo modelo de sociedade, aquele elaborado no 1° Congresso do PT e pelo VII Encontro Nacional e reafirmado pelo em nosso 3° Congresso: o Socialismo Petista. Aquele que compreende um transporte público de qualidade e com preço justo como uma bela afirmação de que é possível viver com menos carros nas ruas, diminuindo o tempo de deslocamento, a emissão de gases poluentes e a diminuição do impacto financeiro da necessária locomoção na renda das famílias. 

Aquele que reconhece que o Pré-Sal pode ser um provedor da nova escola e da nova universidade, garantindo não somente o acesso público, gratuito e de qualidade, mas que promove a formação integral e forme gerações sem vendas e libertas da lógica do consumo, capazes de se relacionar com o meio ambiente de maneira harmônica. Da mesma forma, que a riqueza dos nossos recursos naturais fortaleçam o Sistema Único de Saúde, tornando-o o grande guardião do bem estar do povo brasileiro.

Uma sociedade em que nos próximos anos sejamos capazes de transformar os latifúndios em áreas produtivas para o povo Sem-Terra e as terras improdutivas na produção dos homens sem produção, com o compromisso de levar à mesa dos brasileiros alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, sem transgênicos.

A próxima década deve ser um convite imperativo à superação do Capitalismo para essa geração fruto da década de vitórias do povo e de acertos dos governos de Lula e Dilma. O PT, essa ferramenta forjada na luta popular, e seus aliados assumiram a responsabilidade de promover mudanças fundamentais em nosso país. Entretanto, para chegar a um cenário de transformações estruturantes é necessário galgar passos firmes, inclusive fazendo o enfrentamento às elites dominantes do nosso país, incidindo sobre os seguintes pontos:

1. Reforma Política, rechaçando uma mera reforma eleitoral e aprovando um plebiscito com Constituinte exclusiva para defender financiamento público de campanha, voto em lista pré-ordenada para os parlamentos e ampliação da participação e empoderamento das mulheres na política;

2. Democratização dos Meios de Comunicação, com a aprovação de uma Lei de Meios capaz de assegurar espaço com justiça para as diferentes vozes e cores da sociedade e uma política de telecomunicações à serviço do país, com controle social, transparência e produção popular;

3. Reforma Tributária, para tornar mais justo o sistema de arrecadação do nosso país, inclusive com a taxação das grandes fortunas;

4. Reforma do Judiciário, combatendo o excesso de regalias, a falta de transparência e a justicialização da política.

Acreditamos que estes são elementos sem as quais será impossível construir este novo momento clamado pelas ruas. Da mesma maneira, estamos convictos de que apenas com a continuidade deste projeto iniciado pelo presidente Lula em 2002 e com o aprofundamento daqueles sintonizados com esse novo momento do Brasil, bem como através do rompimento de projetos conservadores nos estados e municípios, será possível chegar neste cenário ideal.

No próximo dia 10 de Novembro, os petistas filiados irão às urnas do PED (Processo de Eleições Diretas) com a responsabilidade e nos marcos dos avanços produzidos nos 10 anos dos governos petistas de Lula e Dilma. A mobilização e o debate público que antecedem o momento do voto são ricos espaços para que a militância reflita sobre o nosso país para os próximos 20 anos. A decisão acertada de assegurar 20% de vagas nas direções partidárias aos filiados com ate 29 anos (resolução da etapa estatutária do IV Congresso do PT), iniciando um processo real de transição geracional através do empoderamento de quadros jovens em todas as instâncias partidárias demonstram a vocação de produzir novos marcos para o modo petista de governar e para o socialismo contemporâneo.

Neste sentido, não podemos deixar de citar a paridade de gênero e a proporcionalidade étnicorracial, já implementadas nas direções da JPT desde 2008, e que agora tornam-se critérios de composição em todo o partido, são evidências da atuação de vanguarda da juventude petista, mas também marca a capacidade de se reinventar que está na gênese do petismo. 

O PT, esse verdadeiro patrimônio da Esquerda Mundial, necessita permanecer articulando-se e construindo com os movimentos sociais clássicos e contemporâneos, permanecendo como um instrumento destas organizações, mas, na mesma medida, deve estar vivo na disputa do imaginário das novas gerações, com estruturas partidárias cada vez mais próximas do povo, com sedes abertas e sem catracas, com vida cotidiana permanente. Um PT com dirigentes mais vividos pelo sonho do horizonte Socialista, com mais movimentos e menos institucionalização. É necessário que este partido, filho e patriarca das classes populares seja e esteja nas ruas sempre, convocando estas novas gerações ao compromisso de promover o tão sonhado Socialismo Democrático.

*Anne Karolyne foi Secretária Estadual de Juventude do PT do Amazonas (2008-2011), diretora de Meio Ambiente da UNE (2009-2011) e atualmente é coordenadora nacional de Mobilização da JPT;

**Debora Pereira é Jornalista e foi da Executiva da UNE (2007-2009). Atualmente é coordenadora de Assuntos Institucionais da JPT-SP e membro do Coletivo Municipal de Mulheres do PT da cidade de São Paulo.

***Cássio Nogueira foi diretor de PPJ da UNE (2007-2009), Secretário Estadual de Juventude do PT-PA (2008-2011) e atualmente é coordenador Nacional de Organização da JPT;

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