Arquivo mensal: dezembro 2013

Brisa uruguaia – Por Eduardo Silva

Que a legalização da Maconha no Uruguai propague essa brisa contra a guerra e a violência. Que ela contagie não apenas políticos e juristas, mas também cidadãos comuns

 

Ontem o senado Uruguaio legalizou o plantio e a distribuição de maconha no país, a serem regulamentados, fiscalizados e executados pelo estado. Trata-se de um sopro de sobriedade em meio à insanidade da “Guerra às Drogas” inventada por Nixon para justificar invasões e violações à soberania de outros países do mundo. 

O resultado dessa aventura proibitória é a explosão do narcotráfico, que vem se sofisticando e agregando ao seu operacional milhares de policiais, delegados, juizes, desembargadores e senadores. Autoridades essas que quando não recebem benesses para facilitar a prática, são engrenagens fundamentais dessa grande indústria mundial, ao lado da petrolífera e da bélica – essa última sendo grande beneficiária do proibicionismo.

As vítimas mais evidentes dessa política de repressão são jovens pobres da periferia, principalmente negros, mulatos e pardos, assassinados por armas que deveriam protegê-los. Há ainda outras indústrias que se beneficiam e atuam pelo proibicionismo: o lobby carcerário privado da lógica “quanto mais presos melhor”, a industria farmacêutica beneficiária do tabu e da ignorância sobre as propriedades médicas da canábis e a indústria de comunidades ‘terapêuticas’ de tratamentos questionáveis sem a devida regulamentação / acompanhamento por profissionais qualificados (médicos, psicólogos, assistentes sociais, etc).

A maconha é a droga ilícita mais utilizada no mundo e no Brasil, e corresponde à cerca de 60 % de todas as drogas comercializadas ilegalmente no país. É conhecida por seu efeito relaxante, capaz de produzir empatia e principalmente por mudar percepções. Seu uso é muitas vezes associado ao movimento pacifista e de resistência às guerras e a sensação produzida pelo efeito da maconha é popularmente conhecida como ‘brisa’.

Que a legalização da Maconha no Uruguai propague essa brisa contra a guerra e a violência. Que ela contagie não apenas políticos e juristas, mas também cidadãos comuns. Que ela traga o fim da criminalização da juventude em situação de vulnerabilidade social, o fim do encarceramento em massa e o fim da superlotação de presídios. Traga também a possibilidade de tratamentos médicos à base de maconha e o acesso à tratamento humanizados para usuários problemáticos de drogas. Mas acima de tudo: que traga o respeito ao direito do indivíduo sobre o corpo e a mente.

 

Eduardo Silva é militante Bloco da Esquerda Canábica- BEC/Marcha da Maconha e do Núcleo de Políticas de Drogas do PT-NPD/SP

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