Arquivo mensal: março 2014

JPT sampa realiza primeira “Quinta da Juventude”

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A Juventude do PT de São Paulo realizou, nesta quinta, o primeiro ciclo de debates denominado Quinta da Juventude. O tema de abertura foi o Projeto de Lei chamado de Lei Antiterrorismo e as recentes manifestações. Fruto do Planejamento realizado em fevereiro, a ideia é suprir a necessidade levantada de que se tenha espaços permanentes de discussão sobre temas da atualidade. Segundo Erik Bouzan, secretário da JPT Sampa, “Essa demanda foi consenso entres os e as participantes do Planejamento, isso revela a necessidade de termos esse espaço institucionalizado de discussão e reflexão de temas que estão na ordem do dia e que esse espaço consiga subsidiar nossas posições acerca dos temas”.

Para Vitor Marques, coordenador de Formação Política, “A ideia é trazer os problemas do cotidiano para as conversas. Compartilhar anseios, visões e perspectivas, fazer desses diálogos espaços que contribuam para a formação de cada um de nós perante a sociedade. As manifestações de junho mostraram que estamos vivendo um momento de reinventar e aperfeiçoar as organizações. Nesse sentido, os encontros são da forma mais natural possível, encontros de jovens que querem compartilhar as suas realidades e buscar soluções para seus problemas”.

O formato e a periodicidade da Quinta da Juventude foram deliberados pela Direção Municipal da JPT Sampa. Bouzan explica: “A proposta inicial de formato é que não tenhamos convidados, em forma de mesa, mas facilitadores que irão trazer elementos para a discussão”, mas ressaltou: “essa é uma proposta, queremos deixar esse espaço livre, até mesmo o seu formato está suscetível à alteração”. Gabriel Landi, coordenador de Comunicação lembrou também que “nossa proposta é que, em cada debate se tire o tema do próximo, assim deixamos ainda mais democrático e livre esse espaço”.

Os debates acontecerão toda última quinta feira do mês. O próximo será no dia 24 de Abril às 18:00hs no Diretório Municipal do PT e o tema tirado foi: Políticas sobre Drogas e a Juventude.

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NOVOS HORIZONTES PARA A JUVENTUDE PAULISTA – Aprofundar as transformações, avançando no projeto democrático e popular

Resolução Política da Secretaria Estadual da JPT-SP

O Brasil viveu em Junho de 2013 um momento ímpar de mobilização social, tendo suas ruas ocupadas em diversas regiões por cidadãos que pediam maior presença do Estado (e não do Mercado) para o atendimento de demandas sociais. Motivadas e motivados pelo aumento das tarifas de ônibus, os jovens começaram a ir às ruas questionar o reajuste, mas também a qualidade do serviço prestado, denunciar o caos da mobilidade urbana das grandes cidades e cobrar mais ações do poder público para a transformação desta realidade.

A resposta truculenta da polícia do Estado de São Paulo, algo recorrente na relação do governo Tucano com os movimentos sociais, sensibilizou grande parte da população a ir às ruas em defesa do direito de se manifestar, pulverizando as pautas apresentadas – antes restritas à mobilidade urbana. Nesse contexto de lutas pelo direito democrático de manifestação, emergiram uma série de reivindicações que remontam às promessas da Constituição de 1988, notadamente no que tange à oferta pública de Saúde e Educação.

Vale ressaltar que a situação aberta pelas Jornadas de Junho é reflexo da implementação de parte do nosso projeto Democrático-Popular: revertida a tendência de redução de empregos e da renda, principal mote das mobilizações populares nos anos de governo neoliberal, as manifestações se voltaram para a qualidade dos serviços públicos e a solução para os problemas estruturais de mobilidade e infraestrutura.

Vimos uma tentativa da mídia e dos setores conservadores de se apropriar dessas mobilizações, incluindo pautas pouco identificadas pelos manifestantes, e a disputa entre o campo da Esquerda e os setores mais progressistas com os setores mais conservadores e à Direita ficou evidente.

Reconhecemos a importância das mobilizações de rua como espaços fundamentais de construção da correlação de forças para avançar em nosso projeto estratégico, como a aprovação da Lei da Mídia Democrática e as reformas Política, do Judiciário, Tributária, Urbana e Agrária. Precisamos reassumir a postura protagonista e ousada, quehistoricamente caracterizaram o PT, e apresentar uma plataforma pós-junho, que ajude o PT avançar no programa de reformas estruturais. E a Juventude do PT, protagonista no partido em formulação de resoluções avançadas sobre temas-tabus, como aborto, drogas e as próprias manifestações de Junho, além do protagonismo na adoção de paridade de gênero e cotas etnicorraciais em suas estruturas de direção, tem a tarefa de sensibilizar o partido para a compreensão de que a aplicação do nosso programa precisa avançar cada vez mais.

Ressaltamos o desafio das cotas geracionais e o empoderamento das e dos dirigentes jovens que estão nas direções Estadual, das Macros e Municipais do PT. Tal medida é fundamental para que tenhamos um PT oxigenado e sintonizado com as pautas e formas de organização, não só da juventude, mas dos novos movimentos e, na mesma linha, superar o discurso da renovação de quadros, implementando-o de fato. Empoderar os jovens dirigentes é superar o discurso “juventudista”, que guetiza e sectariza os jovens, dando condições para que esses dirigentes assumam tarefas gerais nas instâncias para além da pauta específica, que reafirmamos ser tarefas das direções da JPT. Mais do que projetar quadros jovens às posições de poder, nossa tarefa histórica é rejuvenescer nossa base social de massas. Nesta linha, convocamos uma plenária de jovens dirigentes do PT de São Paulo para o 1° Semestre de 2014.

Se Junho de 2013 foi o período de ocupar as ruas, Dezembro e o começo do ano de 2014 teve como mote a ocupação dos espaços públicos, motivados novamente pela ação truculenta da polícia, desta vez em uma tentativa de impedir os jovens da periferia de ocupar espaços antes exclusivos dos ricos e da classe média tradicional. Os chamados “Rolezinhos” caracterizaram-se como fato social exatamente por evidenciar o racismo latente e a insuficiência do modelo de inclusão através do consumo. Importante salientar que as manifestações de Junho e os Rolezinhos são movimentos distintos, contudo motivados pela incapacidade da polícia de Alckmin em lidar com manifestações populares e tendo como plano de fundo as mudanças na composição de classes que o PT operou o à frente do governo federal.

Isto expõe o fato de que, se por um lado o nosso governo foi exitoso ao promover inclusão social, com mais de 50 milhões de pessoas deixando a linha da pobreza, os mais de 20 milhões de empregos gerados, o aumento do poder de compra do salário mínimo, o acesso ao ensino superior, seja através de cotas, Prouni, Reuni, do Sisu ou do Ciência Sem Fronteiras, encontramos grandes dificuldades em politizar essa ascensão social como fruto de nosso projeto e de nossas ações, e organizar essa nova composição social sob a hegemonia de um projeto Socialista, democrático e de massas.

As políticas públicas por si só não são suficientes para a disputa simbólica e ideológica na sociedade. Não à toa parte dos setores que foram beneficiados por nossas políticas questionam, e até mesmo atacam, nosso programa. É preciso que nossas ações venham acompanhadas da afirmação de nosso projeto como alternativa para o país e referência para América Latina e países chamados “emergentes”, bem como do debate ideológico sobre a crise do sistema capitalista que organiza a economia mundial.

Ainda nesta conjuntura, nos preocupa e nos coloca em alerta o crescimento de uma onda conservadora – resguardadas as especificidades – em diversas regiões do globo, como as da Venezuela, Ucrânia e mesmo no Brasil, como o crescimento do fundamentalismo religioso, as agressões homofóbicas, a realização racista da “justiça pelas próprias mãos” e as tentativas da Direita de se organizar, mesmo com a crise dos partidos por ela referenciados.

Se o PT historicamente sofreu com ataques e difamações, na maioria das vezes, preconceituosos e classistas, vemos hoje esse cenário se acirrar cada vez mais. Os setores conservadores estão num momento de ascensão preocupante que, se ainda não coloca em xeque nosso favoritismo eleitoral, pode acarretar no enfraquecimento das pautas progressistas e numa polarização social à qual precisamos estar preparados. Exemplos não faltam que demonstram que a Direita está se organizando e sinalizando que não aceitará mais uma vitória eleitoral do projeto democrático-popular sem desestabilizá-lo.

Essa ascensão conservadora está alicerçada num cenário internacional de desestabilização de governos progressistas. O caso da Venezuela é emblemático; na Ucrânia, o golpe que colocou pela primeira vez depois de 1945 os Nazistas de volta ao poder também servem de alerta para nos prepararmos para uma verdadeira onda conservadora, que tem seus reflexos no Brasil. Somos solidários aos companheiros que, como os do PSUV e todo o Gran Polo Patriótico, resistem e seguem na luta em defesa da soberania de seus países e pela construção e implementação de governos democráticos e das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Este ano de 2014 apresenta desafios significativos para o PT e nossa juventude, e as eleições certamente nortearão boa parte de nossa atuação. Contudo, por nosso partido não se limitar à mera disputa eleitoral, devemos estar conectados com os movimentos sociais e referenciados nas lutas e demandas da classe trabalhadora e em sintonia com as lutas em curso no país. Desta forma, conclamamos a Juventude do PT do Estado de São Paulo a participar ativamente das atividades de construção e mobilização do Plebiscito Popular pela Reforma Política e da Jornada Nacional de Lutas da Juventude, que acontecerá em Abril.

Não poderíamos deixar de falar da Copa do Mundo de futebol, que acontece em Junho, um ano após as mobilizações que marcaram um novo momento da luta de massas no país. Ressaltamos a importância do evento em termos de visibilidade do Brasil para o mundo, bem como para a atração de empregos, geração de renda e investimentos para o país. Contudo, ao nosso campo cabe a discussão intransigente sobre o legado popular da Copa, ou seja, os benefícios que dialoguem com o nosso projeto de desenvolvimento nacional. Não faremos coro contra o Mundial, mas nos somamos aos fóruns populares que dialogam e discutem uma agenda referenciada nas lutas populares. Se não nos serve a palavra de ordem vazia e aventureira do “Não vai ter Copa”, nos cabe sim responder às demandas por mais Direitos e dar uma resposta popular à pergunta “Copa para quem?”.

Nessa mesma linha, reafirmamos a nota da Direção Nacional da JPT, rechaçamos qualquer tentativa de cercear o livre direito de manifestação e nos posicionamos de maneira contrária à chamada Lei Antiterror (PL 499/2013) proposta no Congresso Nacional. E fazemos um apelo à bancada do PT, especialmente aos parlamentares do nosso Estado, para barrar a tramitação deste projeto que vai contra bandeiras histórias do nosso partido e o aprofundamento da democracia. A nosso ver, o contraditório é fundamental para fortalecer a democracia.

Ainda nessa linha, reafirmamos a agenda protagonizada pelos novos movimentos em relação à violência policial, evidenciada nas recentes manifestações, mas que atinge há muito a juventude paulista, principalmente a juventude pobre, negra e periférica, que sofre com o encarceramento em massa e com o extermínio deste segmento. A pauta da desmilitarização e da reforma da polícia é fundamental para nosso projeto e será tema, de uma forma ou de outra, na campanha eleitoral.

Por fim, destacamos como tarefa prioritária o envolvimento da Juventude do PT no processo eleitoral de 2014, seja na construção do programa de governo, apresentando a partir das Macros diagnósticos e pautas locais; seja na intervenção nas agendas da Caravana Horizonte Paulista, construindo momentos e agendas com a juventude em todos os trechos; e nos debates que precederão o Encontro de Tática Eleitoral do PT, que deve acontecer em Maio, na cidade de São Paulo.

Reeleger o nosso projeto em nível nacional, com a recondução da companheira Dilma Roussef, e derrotar o conservadorismo e o atraso do tucanato no estado de São Paulo, elegendo o companheiro Alexandre Padilha governador, estão na ordem do dia de nossa intervenção militante e não mediremos esforços para que isto se consolide. Será com a força e disposição da JPT-SP que lutaremos para apresentação de um programa à Esquerda e com uma campanha de luta e revigorada e centrada na disputa de ideias que conquistem corações e mentes daqueles que reconhecem no PT e em nosso campo os aliados para as grandes transformações de nosso país.

DIREÇÃO ESTADUAL DA JUVENTUDE DO PARTIDO DOS TRABALHADORES DE SÃO PAULO

São Paulo, 9 de Março de 2014