Arquivo mensal: maio 2014

JPT-SP realiza 3° Festival de Cultura e Arte

Evento tem parceria com a Direção Nacional e deve reunir artistas, coletivos e militantes da cultura vindos de diferentes lugares

ImagemA Secretaria Estadual de Juventude do PT de São Paulo vai realizar o seu 3° Festival de Cultura e Arte nos dias 30 e 31 de maio e 1° de Junho, na Cidade de Guarulhos, macro Alto Tietê, região da Grande São Paulo. O evento acontece concomitante e em parceria com o Festival Aldeias da Juventude da Secretaria Nacional da JPT.

A ideia do evento é reunir diferentes expressões artísticas de jovens que de alguma maneira são militantes da área da cultura, na perspectiva de debater uma nova política cultural para o estado de São Paulo, bem como apresentar uma agenda que avance em ações exitosas apresentadas pelo Ministério da Cultura.

O evento terá debates, oficinas, workshops, cursos, apresentações e deve contar com a presença de lideranças, dirigentes e parlamentares vindos de todo o estado. As sugestões de atrações e discussões poderão ser encaminhadas através do email contato.jptsp@gmail.com, até o dia 15 de Maio.

Está é a terceira edição do evento, que já foi realizado em Paranapiacaba (Macro ABC, 2005) e São Carlos (Macro Ribeirão, 2010). A novidade desta edição é a realização de um Festival Virtual de Bandas. “É uma forma de prestigiar artistas que estão começando e que não tem muito espaço. Também queremos que o Festival não seja um espaço que se encerre, mas a consequência de um processo prévio e um marco para a elaboração de uma nova política de cultura para o estado”, explicou Rogério Cruz, Secretário Estadual de Juventude do PT-SP.

As bandas premiadas se apresentam no evento e a mais curtida fará a abertura do show principal do Festival. 

Não é necessário ser filiado ao PT para participar do festival. No entanto, é necessário realizar inscrição prévia e em caso de lotação do alojamento ou outras atrações do festival, os filiados e filiadas terão prioridade. As inscrições serão online e estrão disponíveis a partido do dia 15 de Maio.

A programação será divulgada em breve.

Leia a Carta de Orientações: http://www.linhadireta.org.br/download/noticia/orientacoes_festival_jptsp.pdf

 

Curta a página da JPT no Facebook para mais informações: https://www.facebook.com/JPTSPoficial?fref=ts

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Artigo: PT dá o tom da campanha eleitoral: a Reforma Política. Por Erik Bouzan

 

ImagemA opção de travar essa disputa política está alinhada com a mobilização dos principais movimentos sociais do país que estão organizando o Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva do Sistema Político

Nos últimos dias 2 e 3 ocorreu o 14º Encontro Nacional do PT, que discutiu tática eleitoral e as diretrizes para programa de governo. Além dos documentos aprovados demonstrarem, os discursos de Lula e da presidenta Dilma foram precisos e, acima de tudo, deram o tom propositivo que o partido pretende levar para a disputa eleitoral que será a Reforma Política. 


Isso não é pouca coisa. A opção de travar essa disputa política está alinhada com a mobilização dos principais movimentos sociais do país que estão organizando o Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva do Sistema Político. Além disso, sinaliza um novo passo nas mudanças promovidas pelos nossos governos, aliás, almejado há tempos pela esquerda, que são as reformas estruturais. 

A companheira Débora Pereira, membro do Diretório Nacional definiu com precisão o novo ciclo que se abre e o próximo passo das reformas. “Embora nossos governos tenham implementado uma série de políticas no sentido das reformas estruturantes que defendemos desde a fundação do partido, é preciso reorganizar o pacto com a sociedade e com os aliados em torno de um novo ciclo de modernização do Brasil, expressando as novas lutas democráticas que se anunciam, por exemplo, pelas Jornadas de Junho, além de outros movimentos sociais, sejam tradicionais ou não.” *

A estratégia inicial, que nos levou a vitória contra o neoliberalismo e o bloco político conservador permitiu que uma nova agenda se estabelecesse. A plataforma desenvolvimentista acompanhada da distribuição de renda, dos avanços sociais e da participação popular inaugurou um novo ciclo de desenvolvimento social e econômico que permitiu forte ascensão social das camadas populares e uma nova configuração de classe. O surgimento de uma nova classe trabalhadora, antes renegada ao desinteresse do mercado e desassistida pelo Estado, remodelou a estrutura piramidal do país. Isso só foi possível por conta de uma coalização produtivista entre setores da burguesia descontentes com o rentismo da Era FHC e a classe trabalhadora, diretamente atingida pelo problema estrutural do emprego. É bem verdade que esse novo bloco político não confrontou sistematicamente o capital financeiro, mas seu espaço foi diminuído e diversas vezes se ensaiou enfrentamentos maiores, que foram abandonados por conta da correlação de forças desfavorável. 

Se a estratégia inicial colocou o país em outro patamar de desenvolvimento, por outro lado não conseguiu avançar nas reformas pela própria dinâmica e composição. 

Organizada pela lógica colonialista, historicamente nossa burguesia foi e lutou contra as reformas estruturais. Sem projeto de desenvolvimento próprio, negou reformas que a própria burguesia realizou em outros países, como a reforma agrária. É evidente que, pelo processo histórico, nossas instituições(parlamento, judiciário etc) são fortemente marcadas por essa cultura e ocupado pelos setores da burguesia conservadora e colonial. 

Fica colocada, então, a grande questão que circunda nossos governos há tempos: como destravar essas reformas? 

Se avançarmos e posto em prática parte de nosso projeto democrático-popular sem grandes conflitos com o capital, esse processo fica cada vez mais difícil justamente pelos avanços obtidos. É cada vez mais visível a reaglutinação de setores em torno de uma ofensiva rentista e conservadora. 

As Jornadas de Junho recolocou no cenário político o movimento de massas, fruto da reconfiguração de classes realizadas em nossos governos. Resolvido o problema estrutural do emprego, os setores populares visaram o avanço dos serviços públicos e da mobilidade, parte do processo de estabilidade social. As manifestações evidenciaram, também, a crise das instituições públicas e do nosso modelo de representação. Elas inauguraram um novo ciclo de lutas sociais e o PT tem todas as condições de protagonizar a resposta a essas demandas colocando o debate da reforma do sistema político como centro da disputa de ideias e de projeto. 

A presidenta Dilma, em seu discurso no 14º Encontro afirmou: “Com esta reforma, tudo começa: a reforma política. Sem ela, nós não vamos conseguir a sociedade do futuro que o Brasil quer ver nascer”.

Pelas recentes movimentações de nosso Congresso, fica evidente que não será possível colocar uma reforma política progressista definitivamente na agenda sem uma forte mobilização popular e o momento eleitoral traz a possibilidade de dialogarmos diretamente com a população sobre a necessidade da reforma para os avanços esperados. 

Vale ressaltar a tendência quase que certa das forças conservadoras e de direita no país na tentativa, a todo custo, de rebaixar o debate eleitoral ao nível mais baixo de nossa história. Diversos elementos já apontam pra isso, tais como o acirramento da perseguição política à esquerda, a ascensão do conservadorismo, as mentiras e a desinformação que já se vê em diversos órgãos de imprensa e nas redes sociais. Politizar o debate eleitoral, além de progressista, será um instrumento de defesa do partido e das conquistas atuais.

Diz o documento aprovado no Encontro: “As eleições de 2014 são, também, um momento decisivo para travar o debate de ideias e conquistar hegemonia em torno do nosso projeto de sociedade. Nesse sentido, a proposta feita pela presidenta Dilma ao Congresso Nacional, de um plebiscito para convocar uma Constituinte Exclusiva pela Reforma Política, proposta encampada pelo PT, movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos, organizações da sociedade, deve fazer parte destacada da ação eleitoral da militância e de nossas candidaturas. A luta pela reforma política deve estar no centro de nossa tática eleitoral e dos programas de governo nacional e estaduais”.

O Governo e principalmente o PT devem se empenhar na construção de uma nova institucionalidade, que supere o atual sistema político, engessado e refém de alianças inevitáveis com o fisiologismo e com oligarquias regionais. Para isso só a mobilização social e política de fora pra dentro do parlamento, que dispute ideias com a sociedade e apresente a nova agenda de transformações sociais, conseguirá viabilizá-la. 

É com esse espírito que iremos às ruas este ano, com a força e a garra da militância petista, mas também com o comprometimento de nossas candidaturas, majoritárias e proporcionais, principalmente a nacional, que dará o tom do debate político que poderá consolidar esse novo ciclo de lutas e avanços sociais e que, mais uma vez, seremos os protagonistas.

*O PT começa a resgatar as Reformas de Base – Debora Pereira: Artigo publicado em 29/03/2014

*Erik Bouzan é secretário municipal da Juventude do PT de São Paulo