A disputa pelo Estado – Complexa, mas não impossível. Por Bruna Tamires

11750718_725547334218412_2449104165092918090_nUm fenômeno inovador das relações sociais foi o capitalismo. Um modelo de vida em sociedade, pautado na acumulação e no individualismo, no trabalho pelo trabalho e na valorização do mérito. Mais do que ver esse modelo formando as relações econômicas, distribuindo bens e serviços para os que já possuem bens e serviços e devolvendo farelos para a classe pobre e trabalhadora, vemos também a economia capitalista dando seu próprio formato ao Estado.

Há quinhentos anos a gestão do país, regras, leis e formas de comportamento, é feita pela elite econômica e intelectual (aquele grupo de gente que tem terra e dinheiro para comprar e por preço no conhecimento). Donos das terras e dos meios de produção, esse grupo político se alimenta da energia das classes mais baixas para poder viver, e num ciclo de castigo e exploração utiliza o Estado como ferramenta opressora de direitos e a mídia como formadora de opiniões que não incentivam a reflexão.

A esquerda, contrária ao modelo capitalista e defensora de ideias progressistas de base socialista, revolucionou ao conseguir ocupar o Estado por doze anos, desde 2002, e fomentar políticas sociais que com esforço redistribuíram bens e serviços que foram distribuídos de forma imensamente precária e desigual aos trabalhadores durante séculos.

Doze anos e o Partido dos Trabalhadores realiza uma tarefa de luta, mas não forte o suficiente para superar os vícios de um Estado criado para a opressão. Para garantir nossas políticas sociais e o poder de voto nos espaços de disputa do Estado o PT recorreu às ferramentas do patrão na esperança de ver crescer o progresso do proletariado. A estrutura do Estado capitalista e opressor nos empurra para o modelo de compra e venda de ideias e projetos, para os acordos implícitos e para a guerra silenciosa, pois a curto prazo tudo se incendeia e o longo prazo é de dura construção.

Ocupar cargos públicos e realizar o trabalho de base (processo que estimula a participação política e o desenvolvimento coletivo) simultaneamente é o que ainda não fomos capazes de fazer durante os nossos anos de gestão, a comunicação entre a base e os que ocuparam o Estado enfraqueceu e os trabalhadores hoje, maioria jovem, negra, pobre e periférica, tiveram a memória histórica camuflada pela mídia parcial e esquecida pela falta de notícias sobre ações e resoluções para o presente.

Ser esquerda, e principalmente esquerda negra, e disputar o Estado significa, no mais concreto das ideias, trabalhar pela equidade e contra a exclusão, tudo dentro de um sistema que em cada linha de lei e em cada norma implícita deseja excluir pessoas diferentes e acumular recursos para a elite.

A única ferramenta capaz, até agora, de disputar o Estado mantendo o viés da esquerda enfrenta hoje dificuldades passíveis de ocorrer com qualquer outro agrupamento de pessoas que se aventure a querer ocupar os espaços do dominador tradicional, pois é muito mais fácil ser vencido pela utilização das armas tradicionais do que criar novas formas inovadoras e positivas de participação e disputa política

O Partido dos Trabalhadores, enquanto arma de disputa, possui plenas condições de recuperar seus princípios e estabelecer novos métodos para aprofundar a atuação política dos antigos e novos trabalhadores, que são jovens, negr@s, LGBTTs, imigrantes e lutadorxs diários, é preciso apenas transparência, comunicação democrática e, acima de tudo, vontade de querer construir.

*Bruna Tamires é estudante de Gestão de Políticas Públicas da Universiade de São Paulo e conselheira de juventude eleita pela JPT Sampa.

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Publicado em agosto 23, 2015, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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