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Artigo: PT dá o tom da campanha eleitoral: a Reforma Política. Por Erik Bouzan

 

ImagemA opção de travar essa disputa política está alinhada com a mobilização dos principais movimentos sociais do país que estão organizando o Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva do Sistema Político

Nos últimos dias 2 e 3 ocorreu o 14º Encontro Nacional do PT, que discutiu tática eleitoral e as diretrizes para programa de governo. Além dos documentos aprovados demonstrarem, os discursos de Lula e da presidenta Dilma foram precisos e, acima de tudo, deram o tom propositivo que o partido pretende levar para a disputa eleitoral que será a Reforma Política. 


Isso não é pouca coisa. A opção de travar essa disputa política está alinhada com a mobilização dos principais movimentos sociais do país que estão organizando o Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva do Sistema Político. Além disso, sinaliza um novo passo nas mudanças promovidas pelos nossos governos, aliás, almejado há tempos pela esquerda, que são as reformas estruturais. 

A companheira Débora Pereira, membro do Diretório Nacional definiu com precisão o novo ciclo que se abre e o próximo passo das reformas. “Embora nossos governos tenham implementado uma série de políticas no sentido das reformas estruturantes que defendemos desde a fundação do partido, é preciso reorganizar o pacto com a sociedade e com os aliados em torno de um novo ciclo de modernização do Brasil, expressando as novas lutas democráticas que se anunciam, por exemplo, pelas Jornadas de Junho, além de outros movimentos sociais, sejam tradicionais ou não.” *

A estratégia inicial, que nos levou a vitória contra o neoliberalismo e o bloco político conservador permitiu que uma nova agenda se estabelecesse. A plataforma desenvolvimentista acompanhada da distribuição de renda, dos avanços sociais e da participação popular inaugurou um novo ciclo de desenvolvimento social e econômico que permitiu forte ascensão social das camadas populares e uma nova configuração de classe. O surgimento de uma nova classe trabalhadora, antes renegada ao desinteresse do mercado e desassistida pelo Estado, remodelou a estrutura piramidal do país. Isso só foi possível por conta de uma coalização produtivista entre setores da burguesia descontentes com o rentismo da Era FHC e a classe trabalhadora, diretamente atingida pelo problema estrutural do emprego. É bem verdade que esse novo bloco político não confrontou sistematicamente o capital financeiro, mas seu espaço foi diminuído e diversas vezes se ensaiou enfrentamentos maiores, que foram abandonados por conta da correlação de forças desfavorável. 

Se a estratégia inicial colocou o país em outro patamar de desenvolvimento, por outro lado não conseguiu avançar nas reformas pela própria dinâmica e composição. 

Organizada pela lógica colonialista, historicamente nossa burguesia foi e lutou contra as reformas estruturais. Sem projeto de desenvolvimento próprio, negou reformas que a própria burguesia realizou em outros países, como a reforma agrária. É evidente que, pelo processo histórico, nossas instituições(parlamento, judiciário etc) são fortemente marcadas por essa cultura e ocupado pelos setores da burguesia conservadora e colonial. 

Fica colocada, então, a grande questão que circunda nossos governos há tempos: como destravar essas reformas? 

Se avançarmos e posto em prática parte de nosso projeto democrático-popular sem grandes conflitos com o capital, esse processo fica cada vez mais difícil justamente pelos avanços obtidos. É cada vez mais visível a reaglutinação de setores em torno de uma ofensiva rentista e conservadora. 

As Jornadas de Junho recolocou no cenário político o movimento de massas, fruto da reconfiguração de classes realizadas em nossos governos. Resolvido o problema estrutural do emprego, os setores populares visaram o avanço dos serviços públicos e da mobilidade, parte do processo de estabilidade social. As manifestações evidenciaram, também, a crise das instituições públicas e do nosso modelo de representação. Elas inauguraram um novo ciclo de lutas sociais e o PT tem todas as condições de protagonizar a resposta a essas demandas colocando o debate da reforma do sistema político como centro da disputa de ideias e de projeto. 

A presidenta Dilma, em seu discurso no 14º Encontro afirmou: “Com esta reforma, tudo começa: a reforma política. Sem ela, nós não vamos conseguir a sociedade do futuro que o Brasil quer ver nascer”.

Pelas recentes movimentações de nosso Congresso, fica evidente que não será possível colocar uma reforma política progressista definitivamente na agenda sem uma forte mobilização popular e o momento eleitoral traz a possibilidade de dialogarmos diretamente com a população sobre a necessidade da reforma para os avanços esperados. 

Vale ressaltar a tendência quase que certa das forças conservadoras e de direita no país na tentativa, a todo custo, de rebaixar o debate eleitoral ao nível mais baixo de nossa história. Diversos elementos já apontam pra isso, tais como o acirramento da perseguição política à esquerda, a ascensão do conservadorismo, as mentiras e a desinformação que já se vê em diversos órgãos de imprensa e nas redes sociais. Politizar o debate eleitoral, além de progressista, será um instrumento de defesa do partido e das conquistas atuais.

Diz o documento aprovado no Encontro: “As eleições de 2014 são, também, um momento decisivo para travar o debate de ideias e conquistar hegemonia em torno do nosso projeto de sociedade. Nesse sentido, a proposta feita pela presidenta Dilma ao Congresso Nacional, de um plebiscito para convocar uma Constituinte Exclusiva pela Reforma Política, proposta encampada pelo PT, movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos, organizações da sociedade, deve fazer parte destacada da ação eleitoral da militância e de nossas candidaturas. A luta pela reforma política deve estar no centro de nossa tática eleitoral e dos programas de governo nacional e estaduais”.

O Governo e principalmente o PT devem se empenhar na construção de uma nova institucionalidade, que supere o atual sistema político, engessado e refém de alianças inevitáveis com o fisiologismo e com oligarquias regionais. Para isso só a mobilização social e política de fora pra dentro do parlamento, que dispute ideias com a sociedade e apresente a nova agenda de transformações sociais, conseguirá viabilizá-la. 

É com esse espírito que iremos às ruas este ano, com a força e a garra da militância petista, mas também com o comprometimento de nossas candidaturas, majoritárias e proporcionais, principalmente a nacional, que dará o tom do debate político que poderá consolidar esse novo ciclo de lutas e avanços sociais e que, mais uma vez, seremos os protagonistas.

*O PT começa a resgatar as Reformas de Base – Debora Pereira: Artigo publicado em 29/03/2014

*Erik Bouzan é secretário municipal da Juventude do PT de São Paulo

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NOVOS HORIZONTES PARA A JUVENTUDE PAULISTA – Aprofundar as transformações, avançando no projeto democrático e popular

Resolução Política da Secretaria Estadual da JPT-SP

O Brasil viveu em Junho de 2013 um momento ímpar de mobilização social, tendo suas ruas ocupadas em diversas regiões por cidadãos que pediam maior presença do Estado (e não do Mercado) para o atendimento de demandas sociais. Motivadas e motivados pelo aumento das tarifas de ônibus, os jovens começaram a ir às ruas questionar o reajuste, mas também a qualidade do serviço prestado, denunciar o caos da mobilidade urbana das grandes cidades e cobrar mais ações do poder público para a transformação desta realidade.

A resposta truculenta da polícia do Estado de São Paulo, algo recorrente na relação do governo Tucano com os movimentos sociais, sensibilizou grande parte da população a ir às ruas em defesa do direito de se manifestar, pulverizando as pautas apresentadas – antes restritas à mobilidade urbana. Nesse contexto de lutas pelo direito democrático de manifestação, emergiram uma série de reivindicações que remontam às promessas da Constituição de 1988, notadamente no que tange à oferta pública de Saúde e Educação.

Vale ressaltar que a situação aberta pelas Jornadas de Junho é reflexo da implementação de parte do nosso projeto Democrático-Popular: revertida a tendência de redução de empregos e da renda, principal mote das mobilizações populares nos anos de governo neoliberal, as manifestações se voltaram para a qualidade dos serviços públicos e a solução para os problemas estruturais de mobilidade e infraestrutura.

Vimos uma tentativa da mídia e dos setores conservadores de se apropriar dessas mobilizações, incluindo pautas pouco identificadas pelos manifestantes, e a disputa entre o campo da Esquerda e os setores mais progressistas com os setores mais conservadores e à Direita ficou evidente.

Reconhecemos a importância das mobilizações de rua como espaços fundamentais de construção da correlação de forças para avançar em nosso projeto estratégico, como a aprovação da Lei da Mídia Democrática e as reformas Política, do Judiciário, Tributária, Urbana e Agrária. Precisamos reassumir a postura protagonista e ousada, quehistoricamente caracterizaram o PT, e apresentar uma plataforma pós-junho, que ajude o PT avançar no programa de reformas estruturais. E a Juventude do PT, protagonista no partido em formulação de resoluções avançadas sobre temas-tabus, como aborto, drogas e as próprias manifestações de Junho, além do protagonismo na adoção de paridade de gênero e cotas etnicorraciais em suas estruturas de direção, tem a tarefa de sensibilizar o partido para a compreensão de que a aplicação do nosso programa precisa avançar cada vez mais.

Ressaltamos o desafio das cotas geracionais e o empoderamento das e dos dirigentes jovens que estão nas direções Estadual, das Macros e Municipais do PT. Tal medida é fundamental para que tenhamos um PT oxigenado e sintonizado com as pautas e formas de organização, não só da juventude, mas dos novos movimentos e, na mesma linha, superar o discurso da renovação de quadros, implementando-o de fato. Empoderar os jovens dirigentes é superar o discurso “juventudista”, que guetiza e sectariza os jovens, dando condições para que esses dirigentes assumam tarefas gerais nas instâncias para além da pauta específica, que reafirmamos ser tarefas das direções da JPT. Mais do que projetar quadros jovens às posições de poder, nossa tarefa histórica é rejuvenescer nossa base social de massas. Nesta linha, convocamos uma plenária de jovens dirigentes do PT de São Paulo para o 1° Semestre de 2014.

Se Junho de 2013 foi o período de ocupar as ruas, Dezembro e o começo do ano de 2014 teve como mote a ocupação dos espaços públicos, motivados novamente pela ação truculenta da polícia, desta vez em uma tentativa de impedir os jovens da periferia de ocupar espaços antes exclusivos dos ricos e da classe média tradicional. Os chamados “Rolezinhos” caracterizaram-se como fato social exatamente por evidenciar o racismo latente e a insuficiência do modelo de inclusão através do consumo. Importante salientar que as manifestações de Junho e os Rolezinhos são movimentos distintos, contudo motivados pela incapacidade da polícia de Alckmin em lidar com manifestações populares e tendo como plano de fundo as mudanças na composição de classes que o PT operou o à frente do governo federal.

Isto expõe o fato de que, se por um lado o nosso governo foi exitoso ao promover inclusão social, com mais de 50 milhões de pessoas deixando a linha da pobreza, os mais de 20 milhões de empregos gerados, o aumento do poder de compra do salário mínimo, o acesso ao ensino superior, seja através de cotas, Prouni, Reuni, do Sisu ou do Ciência Sem Fronteiras, encontramos grandes dificuldades em politizar essa ascensão social como fruto de nosso projeto e de nossas ações, e organizar essa nova composição social sob a hegemonia de um projeto Socialista, democrático e de massas.

As políticas públicas por si só não são suficientes para a disputa simbólica e ideológica na sociedade. Não à toa parte dos setores que foram beneficiados por nossas políticas questionam, e até mesmo atacam, nosso programa. É preciso que nossas ações venham acompanhadas da afirmação de nosso projeto como alternativa para o país e referência para América Latina e países chamados “emergentes”, bem como do debate ideológico sobre a crise do sistema capitalista que organiza a economia mundial.

Ainda nesta conjuntura, nos preocupa e nos coloca em alerta o crescimento de uma onda conservadora – resguardadas as especificidades – em diversas regiões do globo, como as da Venezuela, Ucrânia e mesmo no Brasil, como o crescimento do fundamentalismo religioso, as agressões homofóbicas, a realização racista da “justiça pelas próprias mãos” e as tentativas da Direita de se organizar, mesmo com a crise dos partidos por ela referenciados.

Se o PT historicamente sofreu com ataques e difamações, na maioria das vezes, preconceituosos e classistas, vemos hoje esse cenário se acirrar cada vez mais. Os setores conservadores estão num momento de ascensão preocupante que, se ainda não coloca em xeque nosso favoritismo eleitoral, pode acarretar no enfraquecimento das pautas progressistas e numa polarização social à qual precisamos estar preparados. Exemplos não faltam que demonstram que a Direita está se organizando e sinalizando que não aceitará mais uma vitória eleitoral do projeto democrático-popular sem desestabilizá-lo.

Essa ascensão conservadora está alicerçada num cenário internacional de desestabilização de governos progressistas. O caso da Venezuela é emblemático; na Ucrânia, o golpe que colocou pela primeira vez depois de 1945 os Nazistas de volta ao poder também servem de alerta para nos prepararmos para uma verdadeira onda conservadora, que tem seus reflexos no Brasil. Somos solidários aos companheiros que, como os do PSUV e todo o Gran Polo Patriótico, resistem e seguem na luta em defesa da soberania de seus países e pela construção e implementação de governos democráticos e das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Este ano de 2014 apresenta desafios significativos para o PT e nossa juventude, e as eleições certamente nortearão boa parte de nossa atuação. Contudo, por nosso partido não se limitar à mera disputa eleitoral, devemos estar conectados com os movimentos sociais e referenciados nas lutas e demandas da classe trabalhadora e em sintonia com as lutas em curso no país. Desta forma, conclamamos a Juventude do PT do Estado de São Paulo a participar ativamente das atividades de construção e mobilização do Plebiscito Popular pela Reforma Política e da Jornada Nacional de Lutas da Juventude, que acontecerá em Abril.

Não poderíamos deixar de falar da Copa do Mundo de futebol, que acontece em Junho, um ano após as mobilizações que marcaram um novo momento da luta de massas no país. Ressaltamos a importância do evento em termos de visibilidade do Brasil para o mundo, bem como para a atração de empregos, geração de renda e investimentos para o país. Contudo, ao nosso campo cabe a discussão intransigente sobre o legado popular da Copa, ou seja, os benefícios que dialoguem com o nosso projeto de desenvolvimento nacional. Não faremos coro contra o Mundial, mas nos somamos aos fóruns populares que dialogam e discutem uma agenda referenciada nas lutas populares. Se não nos serve a palavra de ordem vazia e aventureira do “Não vai ter Copa”, nos cabe sim responder às demandas por mais Direitos e dar uma resposta popular à pergunta “Copa para quem?”.

Nessa mesma linha, reafirmamos a nota da Direção Nacional da JPT, rechaçamos qualquer tentativa de cercear o livre direito de manifestação e nos posicionamos de maneira contrária à chamada Lei Antiterror (PL 499/2013) proposta no Congresso Nacional. E fazemos um apelo à bancada do PT, especialmente aos parlamentares do nosso Estado, para barrar a tramitação deste projeto que vai contra bandeiras histórias do nosso partido e o aprofundamento da democracia. A nosso ver, o contraditório é fundamental para fortalecer a democracia.

Ainda nessa linha, reafirmamos a agenda protagonizada pelos novos movimentos em relação à violência policial, evidenciada nas recentes manifestações, mas que atinge há muito a juventude paulista, principalmente a juventude pobre, negra e periférica, que sofre com o encarceramento em massa e com o extermínio deste segmento. A pauta da desmilitarização e da reforma da polícia é fundamental para nosso projeto e será tema, de uma forma ou de outra, na campanha eleitoral.

Por fim, destacamos como tarefa prioritária o envolvimento da Juventude do PT no processo eleitoral de 2014, seja na construção do programa de governo, apresentando a partir das Macros diagnósticos e pautas locais; seja na intervenção nas agendas da Caravana Horizonte Paulista, construindo momentos e agendas com a juventude em todos os trechos; e nos debates que precederão o Encontro de Tática Eleitoral do PT, que deve acontecer em Maio, na cidade de São Paulo.

Reeleger o nosso projeto em nível nacional, com a recondução da companheira Dilma Roussef, e derrotar o conservadorismo e o atraso do tucanato no estado de São Paulo, elegendo o companheiro Alexandre Padilha governador, estão na ordem do dia de nossa intervenção militante e não mediremos esforços para que isto se consolide. Será com a força e disposição da JPT-SP que lutaremos para apresentação de um programa à Esquerda e com uma campanha de luta e revigorada e centrada na disputa de ideias que conquistem corações e mentes daqueles que reconhecem no PT e em nosso campo os aliados para as grandes transformações de nosso país.

DIREÇÃO ESTADUAL DA JUVENTUDE DO PARTIDO DOS TRABALHADORES DE SÃO PAULO

São Paulo, 9 de Março de 2014

Com a presença de Artur Henrique, JPT Sampa discute desafios para 2014

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Entre os principais assuntos postos em pauta, os grupos debateram temas como reforma política, eleições 2014, formação, comunicação e mídias sociais e organização local

 
Por Debora Pereira, JPT Sampa
Segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Em evento realizado no último sábado (22), a Secretaria Municipal de Juventude do PT da cidade de São Paulo, a JPT Sampa, realizou seu planejamento para o ano de 2014. Aproximadamente 70 pessoas acompanharam o ato realizado no Auditório Amarelo do Sindicato dos Bancários. Isto porque, o evento foi ampliado para além da Direção e aberto para receber a contribuição de representantes de movimentos sociais, auxiliares de juventude das Subprefeituras e conselheiros de juventude da cidade.

A abertura dos trabalhos ficou por conta de uma análise da conjuntura da cidade feita por Artur Henrique, diretor da Fundação Perseu Abramo e ex-presidente da CUT. Ele falou dos elementos simbólicos que representam a gestão Fernando Haddad, da expectativa e alegria que contagiam a Caravana Horizonte Paulista sob o comando de Alexandre Padilha e dos desafios para a manutenção do projeto do PT em nível federal.

“O PT deve estar sintonizado com as demandas que surgiram a partir das manifestações de junho, que pediam uma maior atuação do Estado na vida das pessoas. Mas é preciso entender que Junho já passou e precisamos estar preparados para as novas manifestações, ir pra as ruas e olhar para frente”, comentou Artur Henrique. “Também precisamos repensar os nossos modelos de organização e voltar a priorizar o trabalho de base”, afirmou o dirigente citando o exemplo do campeonato de videogame organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na sede da entidade.

Artur Henrique comentou, ainda, o programa de governo elaborado pela JPT Sampa na ocasião das eleições municipais e se mostrou bastante aberto para um diálogo frente ao debate para o trabalho decente para a juventude, educação profissional, economia criativa, entre outros temas relacionados à juventude trabalhadora. “Quero manter esse diálogo com a JPT Sampa e organizar uma reunião de trabalho para conversar sobre estes assuntos”, sugeriu o ex-presidente da CUT, que foi amplamente aplaudido pelos jovens presentes.

Bolsa-Trabalho

Um tema muito presente em todas as falas foi a necessidade da reformulação do Programa Bolsa Trabalho da Prefeitura de São Paulo. Criado na gestão da então prefeita Marta Suplicy, o programa teve centralidade na política social do governo e previa uma ajuda em dinheiro para que os estudantes não evadissem, além de possibilitar o trabalho de formação e cidadania dos jovens do programa.

“Fazer esse debate sobre o Bolsa Trabalho com o Artur foi importante porque é uma pessoa que tem uma visão muito progressista e inteirada sobre o mundo do trabalho, além de ter um importante acúmulo neste debate que é geracional, mas que diz respeito a um potencial econômico e produtivo do país que está sendo desperdiçado”, comentou Erik Bouzan, secretário municipal de Juventude do PT.

“O Bolsa Trabalho voltou a ser pauta novamente na cidade, por meio do importante trabalho realizado pelo Conselho Municipal de Juventude de São Paulo, que aprovou 5 milhões de reais no Orçamento do Município em emenda para o Programa e lutou para o descontingenciamento no começo da gestão. Agora a pauta é rediscutir o programa, ampliar a faixa etária atendida e caminhar para colocá-lo no rol de prioridades da gestão Haddad”, explicou Bouzan.

Encaminhamentos

Na parte da tarde, os participantes foram divididos em grupos de discussão, norteados pelos temas reforma política, eleições 2014, formação, comunicação e mídias sociais e organização local, que apresentaram propostas para a atuação da JPT na cidade de São Paulo.

“A partir das demandas que sugiram, vamos nos debruçar sobre um calendário de atividades que dê conta da realização de um ciclo de debates, uma agenda de ações que se some a agenda do PT pela Reforma Política, além de uma grande atividade de formação ainda no primeiro semestre. Também surgiu como proposta organizar uma atuação mais agressiva nas redes sociais, inclusive potencializando o núcleo de Comunicação da JPT e participando ativamente da construção do Acampamento Digital do PT, que deve ser realizado no mês de Abril”, pontuou o Secretário da JPT Sampa.

Veja mais fotos aqui: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.604488346312165.1073741830.333029640124705&type=1

 

Marina Silva, a deformação política e ideológica de uma caricatura

“Com o tempo, Marina Silva mergulhará cada vez mais fundo no direitismo e seus valores, nos quais o ódio e a vingança são as máximas expressões. É uma triste caricatura, não apenas do que foi no passado, mas daquilo que podia ter sido”

ImagemUma boa maneira de entender uma pessoa não é por suas atitudes passadas, elas demarcam um perfil condicionado também pelo contexto. Melhor é tentar equacionar essas referências anteriores com as atitudes hodiernas, os novos círculos, os novos caminhos.

Nesse sentido, a Marina Silva que afirmou lutar contra o chavismo no PT não é a Marina Silva garota pobre do interior do Acre, amiga de Chico Mendes. Definitivamente, não. Trata-se de uma pessoa forjada por outras trajetórias. É como quando nos lembramos de anos anteriores como outra vida.

Essa é a Marina Silva que vem trilhando o caminho do rancor, do mundo onde não existem sociedades, apenas indivíduos. Indivíduos com seus sentimentos e instintos mais primitivos. Ao contrário da evolução, é uma adaptação. Como criacionista, ela não percebe a triste ironia.

Marina Silva saiu do PT em 2009. Um ano antes havia pedido demissão do Ministério do Meio Ambiente. Caiu não por grandes embates ideológicos. Nunca teve estatura política para isso. Nem pelos tímidos (pra ser generoso) resultados de sua gestão (como a elevação do desmatamento, por exemplo). A decisão foi tomada após uma crise sobre a piracema de bagres nas águas do Rio Madeira.

O elemento central de sua saída deveria ter servido de sinal de seus novos caminhos e aliados. Muitos, no entanto, preferiram acreditar que ela poderia seguir outra trajetória. Continuou pouco mais de um ano no Partido dos Trabalhadores. Tinha possibilidade de disputar as prévias internas. Ganhando ou perdendo, teria fortalecido sua trajetória ligada aos movimentos e princípios de esquerda. O individualismo não está entre eles. Por isso mesmo se sentiu mais confortável entrando em uma barriga de aluguel, o Partido Verde (PV), que lhe garantiu uma legenda para o pleito do ano seguinte.

Jogou por terra toda e qualquer coerência, seja com sua história, ou com seu discurso na época. O PV é tão ambientalista quanto o PSDB é social-democrata. Perdoem a ironia.

Marina cumpriu em 2010 o papel desempenhado por Heloisa Helena em 2006. A também ex-senadora foi na ocasião inflada pela direita midiática, mais competente que seus partidos, como alavanca ao segundo turno. Cumprido seu papel no jogo, foi devolvida pela imprensa ao interior de Alagoas. E lá permanece, em um irrelevante e isolado mandato na Câmara Municipal de Maceió.

Ao final das eleições de 2010, com seu saldo de 20 milhões de votos, formados por um misto de moralismo de classe média antiesquerda, por conservadores de diversos matizes e sonháticos que não precisam de outra definição além do termo, Marina tomou uma decisão fundamental na sua nova trajetória. Declarou neutralidade entre um projeto que sempre combateu e aquele de que fez parte até há pouco tempo.

Fique registrado que Marina nunca apresentou posições divergentes à linha geral do governo Lula durante os anos em que permaneceu na Esplanada. O governo Lula foi marcado por uma elevada democracia interna, ministros falavam, davam entrevistas, a Esplanada tinha uma vida política e ideológica ativa. Tinha. Marina nunca surpreendeu com qualquer idéia relevante, mesmo naquela época.

Saiu, portanto, trilhando o caminho do rancor. Jogava na vala comum da sua neutralidade seus anos de dedicação àquele projeto e sua história de combate ao neoliberalismo representado pelo PSDB e pela pior direita que a ele tem se agregado.

Nada mais próximo a um direitista do que um ex-comunista, nos diz a história. E nada pior. O Brasil é claro, está cheio deles. Fernando Gabeira, Ferreira Goulart, Roberto Freire, José Serra, Cândido Vaccarezza… Marina, ao contrário dos que citei, já vinha com um pacote bem mais completo. Nunca se reconheceu como não branca. Em seu discurso esse elemento nunca se fez presente. Não é algo irrelevante.

A conversão para a ideologia neoliberal que viria depois já encontrava também um terreno fértil no conservadorismo moral que era exibido com mais ênfase após sua saída do PT com suas – poucas – amarras regimentais e programáticas. O criacionismo em toda sua mediocridade teórica ganhou força. Nesse diapasão, o endurecimento de suas posições sobre aborto, direitos civis de homossexuais.

Anos depois Marina veio a público defender o deputado racista e homofóbico Marco Feliciano, questionando a relação entre as críticas a ele dirigidas e a confissão religiosa do pastor-parlamentar. Nada tão cotidiano na vida dos sem idéias do que o foco central nas pessoas e suas relações.

Nessa conversão, Marina foi realmente adotada no seio da Casa Grande. Dos jatinhos particulares e sua aproximação com a Natura na campanha de 2010, Marina passou a frequentar os salões de Neca Setúbal, herdeira do Itaú. A mesma que abriga um partido clandestino à direita do PSDB, dirigido por um de seus quadros.

Na hipocrisia de Marina e seus sonháticos, a crítica às fontes de financiamento dos partidos tradicionais encontra ressalva na relação com os bancos, grandes aliados e sustentáculos do desenvolvimento sustentável (sic). Peço aos amigos leitores que encontrem um intelectual com densidade que possa provar que as indústrias de tabaco ou de armas provocaram menos males à humanidade do que o sistema bancário. Mas no grupo de Marina não há intelectuais, mesmo usando a profundidade de um pires como critério de corte.

Agora, Marina nos surpreende após sua tentativa inócua de criar um partido. Algo feito sem muitas dificuldades por um ex-vereador desconhecido do Entorno do Distrito Federal e pelo bastião da ética paulista, o deputado Paulo Pereira da Silva. Surpreende não apenas por sua pressão antidemocrática e antirrepublicana ao Tribunal Superior Eleitoral para validar um partido sem apoio popular e sem requisitos legais. Marina defendeu que o TSE cometesse um crime eleitoral. Ao seu individualismo, alia-se um autoritarismo que faz mal à República.

Mas Marina surpreende pela decisão e pela motivação recente de se filiar ao PSB de Eduardo Campos. À necessidade de ser a estrela do espetáculo, Marina sobrepôs seu rancor e desejo de vingança. Declarou a aliados que sua briga é “contra o PT e o chavismo que se instalou no Brasil”. Dispensável registrar aqui a tolice representada por tal raciocínio, que não encontra qualquer respaldo na realidade. Infelizmente.

Marina Silva pode ser vice na chapa de Eduardo Campos. Poderá ainda ser candidata a presidente pelo PSB. De suas bandeiras, pouco restará além da mesquinharia expressa nesse pensamento. Grandes idéias? Nunca as apresentou, dificilmente o faria agora. Não se enganem, o horizonte mostra apenas continuidade. Com o tempo, Marina Silva mergulhará cada vez mais fundo no direitismo e seus valores, nos quais o ódio e a vingança são as máximas expressões. É uma triste caricatura, não apenas do que foi no passado, mas daquilo que podia ter sido.

 

 Alessandro Melchior é estudante de Direito e presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve). Foi representante do Brasil na Reunião Especializada de Juventude do Mercosul (2010/2011), é diretor da ABGLT e está na vice-presidência do Fórum de Juventude da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)