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Prefeitura abre diálogo para fortalecer reconhecimento cultural do funk

Prefeito Haddad e secretários municipais se reuniram com integrantes do movimento ‘Território Funk’. Prefeitura oferecerá apoio para ajudar no reconhecimento do valor cultural do funk

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Fernando Pereira / SECOM.

A Prefeitura de São Paulo, por meio de um trabalho intersetorial, promoverá ações para diminuir a criminalização sofrida pelo movimento do funk e ajudar no reconhecimento do valor cultural do estilo musical. O anúncio foi feito pelo prefeito Fernando Haddad, em reunião nesta terça-feira (23) com integrantes do movimento ‘Território Funk’. Mais de 60 pessoas participaram do encontro, que foi a primeira abertura de diálogo da história entre a administração municipal e os representantes do estilo.

A intenção da Prefeitura é repetir ações como a promovida no último fim de semana, quando o município apoiou com infra-estrutura um evento na Vila Natal, na Zona Sul, colocando a manifestação artística em local adequado, oferecendo segurança aos frequentadores e sem incomodar os vizinhos.

Além disso, outras ações de apoio ao funk ainda serão desenvolvidas em diálogo com os movimentos populares. Na reunião, Haddad recebeu o projeto nomeado ‘Território Funk’ que, além de ações de apoio à manifestação cultural, ainda propõe a criação de oficinas, palestras e ações sociais, usando o estilo musical como mote.

”Temos que continuar com essas experiências, sem pretender em uma semana arrematar um projeto e congelar. Não temos nenhuma intenção de tutelar nada e nem ninguém. Nossa idéia é dar suporte e ambiente para que as coisas aconteçam”, disse o prefeito Fernando Haddad.

Participaram do encontro os secretários Juca Ferreira (Cultura), Netinho de Paula (Promoção da Igualdade Racial), Celso Jatene (Esportes, Lazer e Recreação), Chico Macena (Coordenação das Subprefeituras), Roberto Porto (Segurança Urbana), César Callegari (Educação) e Rogério Sottili (Direitos Humanos e Cidadania).

O secretário Juca Ferreira ressaltou que não há um projeto definido de ações, mas a intenção da Prefeitura é garantir as expressões artísticas do funk, oferecendo o mínimo de infra-estrutura e rompendo com a discriminação e a criminalização que o estilo enfrenta na sociedade. “O objetivo é ajudar a organizar as festas e as comemorações, sem incomodar as pessoas que moram nos locais, dando segurança aos frequentadores, considerando que o funk é uma manifestação cultural legítima dos jovens da periferia”, afirmou.

“Essa experiência de sucesso serviu para estudarmos um formato para que vire uma política pública dessa gestão”, disse o secretário Netinho de Paula.

Movimento Funk
Além de reiterar apoio para garantir as manifestações artísticas, a Prefeitura abriu espaço para ouvir pleitos e sugestões de integrantes do movimento ‘Território Funk’. Grupos que reúnem artistas e ações sociais em prol do estilo musical, como a Liga do Funk e a Liga dos DJ’s puderam dar suas contribuições, que serão avaliadas por diversas secretarias e poderão ajudar na construção de uma convivência melhor entre a sociedade e o funk.

A família do MC Daleste, assassinado há um mês em cima do palco, também participou da reunião. ”Enxergo esse momento em que o prefeito nos recebe como uma nova era do funk. Chegou a nossa hora e nossa presença aqui, com voz, mostra que a morte do Daniel (MC Daleste) não foi em vão”, disse Carolina Sena, irmã do cantor. O irmão de Daleste, o MC Pet cantou a música ‘Nossa História’ em homenagem ao artista.

”O que as pessoas chamam de pancadões é a pessoa que pega o carro com som, abre o porta-mala e coloca sua música. Os jovens vão ali, ficam juntos e dançam, mas isso é porque não tem outro lugar para lazer. Precisamos discutir o lazer dos jovens na periferia”, afirmou o DJ Xenon.

”Pela primeira vez, uma Prefeitura abre o espaço para que o funk possa mostrar seu valor. Nem mesmo no Rio de Janeiro, esse espaço foi dado”, exaltou Teles, integrante da Liga do Funk.

”As pessoas tem preconceito e dizem que o funk é machista e sexista, mas não é o funk que é machista e sexista. O mundo é que é. Não foi o funk que inventou isso e isso mostra o preconceito e a discriminação que sofremos”, comentou MC Claudinho da Favela Monte Azul, no Jardim São Luiz.

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