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#TrocaDeIdeiasO PROBLEMA É A SOLUÇÃO. Por Vagner Souza

ImagemA Secretaria de Educação do estado de São Paulo divulgou esta semana com toda pompa os dados relacionados ao SARESP referente ao ano letivo de 2012. Ela se orgulha em destacar a leve melhora no Ensino Médio que sai dos míseros 1,78 e avança para os vergonhosos 1,91. Cabe lembrar que essa escala é medida do 0 a 10.

Dentre vários fatores possíveis de ser analisados, como a burocracia exorbitante, a precarização do trabalho docente, a falta de estrutura física e tecnológica, a falta de capacidade em formar melhor os profissionais envolvidos, vou me ater na relação entre o sistema educacional e ao aluno.

É evidente que o Estado parte da premissa que o aluno está no auge de suas energias e, por isso, deve ser controlado e se possível encaixotado para não trazer riscos à comunidade escolar e nem a sociedade e por conseqüência aos governos. Coletividade controlada e individualizada não exige mudanças. Este pensamento está posto de forma simbólica na estrutura física das unidades escolares, onde essas parecem cadeiões bem nos centros das comunidades. São muros altos, grades e portões para todos os lados. Para muitos, alunos e professores bons não são aqueles que demonstram potenciais, mas sim, aqueles que não trazem problemas.

Na mesma engrenagem, os funcionários das escolas, em especial, inspetores, pois são eles que tem um maior contato com o alunado, são cobrados a impor a autoridade, sendo comuns os gritos dos mesmos dentro da unidade. Aliás, sabe-se que em algumas unidades escolares, inspetor que não grita não é considerado um bom inspetor. Não existe nem um projeto onde o respeito se dá pela idade, pelo cargo que ocupa, pela cordialidade, é mais fácil impor e gritar.

Por fim, educação que se baseia pela imposição e pelo medo esta fadada ao fracasso. O ensino deve ter princípios libertários, onde o discente consiga enxergar o mundo de forma diferente do que ele esta acostumado no seu dia a dia, que ele possa perceber que é peça importante para uma sociedade mais solidária, mais justa e fraterna.

Antes de alguém fazer críticas, trazendo como argumento, que tudo é ruim porque os alunos não querem saber de nada, os pais e a comunidade pouco se importam, o que também é verídico, é que não se pode cobrar um retorno diferente daquilo que é oferecido. Como já diz o velho ditado, plantamos o que colhemos. Estamos oferecendo medo, os tratamos como possíveis perturbadores da ordem.

No dia em que os discentes forem vistos como solução e não problemas, talvez recebam de volta resultados quantitativos e qualitativos melhores dos que estamos recebendo hoje.

Vagner Souza é Professor de Sociologia e foi Secretário da JPT Sampa nos períodos de 2008 e 2009.

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