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‘Queremos que Vaccarezza defenda reforma política do PT, nada além disso’

Secretário da Juventude do PT de São Paulo afirma que, ao rejeitar proposta de reforma política do partido, deputado “dá as costas às ruas” e ao que elas disseram em junho

por Eduardo Maretti, da RBA

Juventude

São Paulo – Em resposta à entrevista do deputado federal Cândido Vaccarezza à RBA na quinta-feira (3), o secretário estadual da Juventude do PT de São Paulo, Rogério Cruz, afirmou que a corrente do partido da qual faz parte, Construindo um Novo Brasil (CNB), não é minoritária e que a cobrança em relação à atuação do parlamentar é por um posicionamento coerente com as orientações da legenda. “O pedido que já protocolamos no diretório estadual é para provocar o debate no partido no sentido de que a atuação dele enquanto parlamentar do PT tem de estar alinhada com o pensamento do partido. Não estamos cobrando nada além disso.”

O grupo pede a expulsão de Vaccarezza. Segundo Cruz, o deputado “tem um problema de concepção de sua atuação parlamentar”. No entanto, o secretário de Juventude afirma que o canal do diálogo não está fechado. “Nós estamos abertos, se ele quiser, para debater isso.”

Na entrevista, Vaccarezza atribui a pressão por sua saída do partido a grupos isolados do PT. “Este é um ato (o pedido protocolado) de pessoas que não deveriam estar no PT, que nunca se encontrarão numa posição majoritária e sempre fizeram parte de grupos que não defendem as posições do partido”, afirmou o deputado. Ele também disse que está “sintonizado com as alianças e coligações” defendidas pela maioria do partido e segue as orientações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff, inclusive com o PMDB.

“Quanto a nós sermos de grupo isolado, eu acho que quem é de grupo isolado é ele, que é de uma corrente regional do PT (Novo Rumo, no estado de São Paulo). Não somos minoritários nem no PT nem na Juventude. A CNB é a maior corrente do partido. Mas a discussão não é uma briga entre mim e ele, entre quem conduz a Juventude e ele.”

Para Rogério Cruz, “o problema que representa o Vaccarezza transcende qualquer discussão interna de correntes. A posição é unânime, da juventude do PT do estado de SP, não é minha. Dizer que somos minoritários demonstra que ele não conhece a juventude do partido em São Paulo e não sabe qual é a correlação de forças interna”.

A respeito da política de alianças que Vaccarezza diz seguir sob orientação de Lula, Cruz afirma que o parlamentar “está misturando tudo”. “Uma coisa é política de aliança para disputa eleitoral, outra para governabilidade, e outra coisa é o que ele está fazendo, que não tem nada a ver com política de aliança. Ele ter aceitado o convite do Henrique Alves, contrariando a indicação do PT, é um fato grave”. Ao rejeitar a proposta de reforma política do PT, na opinião do secretário de Juventude, Vaccarezza “dá as costas às ruas, ao que as ruas disseram em junho”.

“Nós não estamos discutindo política de alianças. Quando falamos de reforma política estamos discutindo que ele transformou a proposta de reforma política numa minirreforma eleitoral que vai discutir cavaletes (a proposta da minirreforma proíbe cavaletes com propagandas em vias públicas)”, esclarece Rogério Cruz. “O que estamos cobrando dele é com base no que o Diretório Nacional vem aprovando. O DN aprovou uma proposta de reforma e queremos que o deputado defenda isso no Congresso.”

Juventude do PT pede expulsão de Vaccarezza, ‘expoente máximo da desvirtuação’

Militantes querem Comissão de Ética para deputado que tem contrariado diretrizes do partido, entre elas a da reforma política
por João Paulo Soares, da RBA
©PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS
vaccarezza índiosVaccarezza conversa com índio na entrada do Congresso

São Paulo – A Juventude do PT do Estado de São Paulo vai protocolar hoje (3), no Diretório Municipal da capital, um pedido de Comissão de Ética para expulsar do partido o deputado Cândido Vaccarezza. O documento já foi enviado por e-mail e também postado na página JPT em Debate do Facebook. O pedido vem a público no dia em que Vaccarezza foi cercado por um grupo de índios que protestavam na Esplanada dos Ministérios e teve de abandonar seu carro para escapar da confusão.

Vaccarezza tem provocado descontentamentos na militância petista – e mesmo entre os dirigentes de sua corrente política interna – por posicionamentos que contrariam diretrizes partidárias e são considerados “conservadores” ou de “direita”.

Há três anos e meio, quando tentava viabilizar sua candidatura à presidência da Câmara junto a setores conservadores, Vaccarezza deu uma entrevista às páginas amarelas da revista Veja em que pregou a reforma da CLT e atacou direitos trabalhistas. A CUT e o PT reagiram. E a bancada escolheu outro nome para disputar (e vencer) aquela eleição.

Agora, o deputado bateu de frente com uma das principais bandeiras do PT desde a crise de 2005, a da reforma política.

Contra a vontade do partido e da própria bancada petista, Vaccarezza aceitou coordenar o Grupo de Reforma Política controlado pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). As propostas desse grupo, encampadas e defendidas por Vaccarezza, passam bem longe daquelas que o PT definiu como prioritárias em reuniões, encontros, convenções e congressos ao longo de sua história – entre as quais o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais e do voto uninominal para o parlamento.

O grupo de Vaccarezza também tem ignorado os apelos da presidenta Dilma Rousseff pela convocação de um plebiscito para decidir sobre o tema.

No documento da JPT-SP, escrito e votado durante uma reunião num assentamento agrícola, no fim de semana, a militância expressa repúdio por “alguns elementos” do PT que “se aliam aos setores conservadores da política para bombardear o projeto de reforma política construído no Partido dos Trabalhadores”.

Na sequência, diz que Vaccarezza é “o expoente máximo dessa desvirtuação”.

O texto diz ainda que a juventude petista vai exigir “atitudes coerentes das instâncias partidárias” e de seus  parlamentares, no sentido de que “se mantenham na defesa de uma constituinte exclusiva e plebiscito para a implementação de uma verdadeira reforma política no Brasil”.

Leia a íntegra:

Moção de Repúdio
Com pedido de instauração de Comissão de Ética para expulsão do deputado Cândido Vaccarezza do PT
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Entre as diversas bandeiras defendidas por nosso partido, como reforma agrária, política de cotas e transferência direta de renda, temos também como prioritária a defesa da democracia e a ampliação desta. Neste sentido, julgamos que a reforma política nos modelos construídos pela militância partidária e pela população é objetivo central para avançar a democracia brasileira.

No entanto, alguns elementos do partido se aliam aos setores conservadores da política para bombardear o projeto de reforma política construído no Partido dos Trabalhadores. O expoente máximo desta desvirtuação do projeto petista de reforma política é o deputado federal Cândido Vaccarezza.

Reunidos na Comunidade Padre Josimo, na Agrovila Campinas, Assentamento Reunidas, no município de Promissão, reivindicamos a instalação de comissão de ética para expulsão do referido deputado dos quadros do Partido dos Trabalhadores, uma vez que este não nos representa, assim como exigiremos atitudes coerentes das instâncias partidárias.

Indicamos ainda, neste mesmo sentido, que nossos parlamentares se mantenham na defesa de uma constituinte exclusiva e plebiscito para a implementação de uma verdadeira reforma política no Brasil.

Promissão, 29 de setembro de 2013.
Juventude do Partido dos Trabalhadores do Estado de São Paulo